Projeto Sabores e Saberes destaca a cozinha de terreiro como patrimônio vivo, memória comunitária e organização coletiva.
A Fundação Cultural Palmares abriu o Novembro Negro 2026 com a segunda edição do projeto Sabores e Saberes – O Tabuleiro da Baiana, voltado à valorização da culinária afro-brasileira como patrimônio cultural. A iniciativa chama atenção para a cozinha de terreiro como espaço de memória, conhecimento, resistência e continuidade, além de relacionar alimentação tradicional com soberania alimentar, geração de renda e proteção da memória comunitária.
Sabores e Saberes abre a programação do Novembro Negro
A Fundação Cultural Palmares apresentou o Sabores e Saberes – O Tabuleiro da Baiana como parte da programação oficial do Novembro Negro 2026, iniciada em 4 de novembro. A matéria institucional divulgada pela fundação trata a culinária afro-brasileira como patrimônio cultural e situa o projeto dentro de uma agenda mais ampla de valorização da presença negra na produção cultural do país.
Segundo o texto da Palmares, o encontro reúne lideranças de comunidades tradicionais de matriz africana, pesquisadores, instituições públicas, cozinheiras e mestras. A proposta é reconhecer conhecimentos, práticas e modos de fazer preservados em territórios tradicionais, sem reduzir esse saber à ideia de gastronomia isolada ou apenas de receita culinária.
Cozinha de terreiro como memória, resistência e continuidade
A divulgação institucional destaca a cozinha de terreiro como um espaço de memória, conhecimento, resistência e continuidade. Nessa leitura, preparar alimentos não é apenas uma atividade doméstica ou festiva: é também uma forma de transmissão de saberes entre gerações, de preservação de referências culturais e de manutenção de vínculos comunitários.
Esse enquadramento é importante para o público da Umbanda porque ajuda a compreender que os terreiros também produzem cultura, organizam sociabilidades e mantêm práticas coletivas que atravessam alimentação, cuidado e território. A fonte não detalha ritos específicos, mas aponta a cozinha tradicional como parte de um patrimônio vivo, sustentado pelas próprias comunidades.
Territórios, formação e participação comunitária
A edição de 2026 envolveu vivências em Planaltina, no Distrito Federal, e Novo Gama, em Goiás, com participação de mais de 100 pessoas no processo formativo, segundo a Fundação Cultural Palmares. O dado reforça a dimensão territorial do projeto, que não se limita a uma homenagem simbólica, mas envolve circulação de saberes e participação comunitária em diferentes localidades.
As lideranças citadas na iniciativa relacionam a cozinha tradicional a soberania alimentar, segurança alimentar, geração de renda e proteção da memória comunitária. Na prática, isso indica que o debate sobre culinária afro-brasileira também toca a organização econômica e social dos territórios, especialmente quando o conhecimento culinário é preservado por mulheres, mestras e grupos ligados a tradições de matriz africana.
Terreiros na agenda cultural afro-brasileira
Em outra matéria sobre o Novembro Negro, a Fundação Cultural Palmares afirma que sua programação em novembro amplia o olhar para os terreiros como parte da economia e da produção cultural afro-brasileira, ao lado de quilombos, blocos afro e escolas de samba. Essa formulação ajuda a situar os terreiros não como espaços marginais, mas como agentes de produção cultural e de preservação de memória.
Para o leitor iniciante, vale observar que a Umbanda não possui uma doutrina única que defina todos os terreiros, mas muitos deles compartilham a valorização do cuidado comunitário, da oralidade e do território. Nesse caso, a notícia não trata de um rito específico da religião, e sim da visibilidade institucional dada à culinária afro-brasileira como parte de uma herança coletiva que atravessa diferentes tradições.
Fontes consultadas
- Sabores e Saberes abre Novembro Negro da Fundação Cultural Palmares com celebração da culinária afro-brasileira como patrimônio cultural — Fundação Cultural Palmares
- Fundação Cultural Palmares realiza o maior Novembro Negro de sua história, com programação em cinco estados — Fundação Cultural Palmares
- Sabores e Saberes – O Tabuleiro da Baiana, uma celebração da culinária afro-brasileira – Instituto Lente Cultural

