A história de seu Exú Gira-Mundo

No final de 1908, Zélio Fernandino de Moraes, um jovem rapaz com 17 anos de idade, que preparava-se para ingressar na carreira militar na Marinha, começou a sofrer estranhos “ataques”. Sua família, conhecida e tradicional na cidade de Neves, estado do Rio de Janeiro, foi pega de surpresa pelos acontecimentos. Esses “ataques” do rapaz, eram caracterizados por posturas de um velho, falando coisas sem sentido e desconexas, como se fosse outra pessoa que havia vivido em outra época. Muitas vezes assumia uma forma que parecia a de um felino lépido e desembaraçado que mostrava conhecer muitas coisas da natureza.
Após examiná-lo durante vários dias, o médico da família recomendou que seria melhor encaminhá-lo a um padre, pois o médico (que era tio do paciente), dizia que a loucura do rapaz não se enquadrava em nada que ele havia conhecido. Acreditava mais, era que o menino estava endemoniado.

Alguém da família sugeriu que “isso era coisa de espiritismo” e que era melhor levá-lo à Federação Espírita de Niterói, presidida na época por José de Souza. No dia 15 de novembro, o jovem Zélio foi convidado a participar da sessão, tomando um lugar à mesa. Tomado por uma força estranha e alheia a sua vontade, e contrariando as normas que impediam o afastamento de qualquer dos componentes da mesa, Zélio levantou-se e disse: “Aqui está faltando uma flor”. Saiu da sala indo ao jardim e voltando após com uma flor, que colocou no centro da mesa. Essa atitude causou um enorme tumulto entre os presentes. Restabelecidos os trabalhos, manifestaram-se nos médiuns kardecistas espíritos que se diziam pretos escravos e índios.

O diretor dos trabalhos achou tudo aquilo um absurdo e advertiu-os com aspereza, citando o “seu atraso espiritual” e convidando-os a se retirarem. Após esse incidente, novamente uma força estranha tomou o jovem Zélio e através dele falou: _”Porque repelem a presença desses espíritos, se nem sequer se dignaram a ouvir suas mensagens. Será por causa de suas origens sociais e da cor ?”. Seguiu-se um diálogo acalorado, e os responsáveis pela sessão procuravam doutrinar e afastar o espírito desconhecido, que desenvolvia uma argumentação segura. Um médium vidente perguntou: _”Por quê o irmão fala nestes termos, pretendendo que a direção aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram, quando encarnados, são claramente atrasados? Por quê fala deste modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua veste branca reflete uma aura de luz? E qual o seu nome irmão?

“Se querem um nome, que seja este: sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque para mim, não haverá caminhos fechados.”

“O que você vê em mim, são restos de uma existência anterior. Fui padre e o meu nome era Gabriel Malagrida. Acusado de bruxaria fui sacrificado na fogueira da Inquisição em Lisboa, no ano de 1761. Mas em minha última existência física, Deus concedeu-me o privilégio de nascer como caboclo brasileiro.”

Anunciou também o tipo de missão que trazia do Astral:

“Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã (16 de novembro) estarei na casa de meu aparelho, às 20 horas, para dar início a um culto em que estes irmãos poderão dar suas mensagens e, assim, cumprir missão que o Plano Espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados.”

O vidente retrucou: _”Julga o irmão que alguém irá assistir a seu culto” ? perguntou com ironia. E o espírito já identificado disse:
“Cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei”.

Para finalizar o caboclo completou:

“Deus, em sua infinita Bondade, estabeleceu na morte, o grande nivelador universal, rico ou pobre, poderoso ou humilde, todos se tornariam iguais na morte, mas vocês, homens preconceituosos, não contentes em estabelecer diferenças entre os vivos, procuram levar essas mesmas diferenças até mesmo além da barreira da morte. Porque não podem nos visitar esses humildes trabalhadores do espaço, se apesar de não haverem sido pessoas socialmente importantes na Terra, também trazem importantes mensagens do além?”

No dia seguinte, na casa da família Moraes, na rua Floriano Peixoto, número 30, ao se aproximar a hora marcada, 20:00 h, lá já estavam reunidos os membros da Federação Espírita para comprovarem a veracidade do que fora declarado na véspera; estavam os parentes mais próximos, amigos, vizinhos e, do lado de fora, uma multidão de desconhecidos.

Às 20:00 h, manifestou-se o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Declarou que naquele momento se iniciava um novo culto, em que os espíritos de velhos africanos que haviam servido como escravos e que, desencarnados, não encontravam campo de atuação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas em sua totalidade para os trabalhos de feitiçaria, e os índios nativos de nossa terra, poderiam trabalhar em benefício de seus irmãos encarnados, qualquer que fosse a cor, a raça, o credo e a condição social. A prática da caridade, no sentido do amor fraterno, seria a característica principal deste culto, que teria por base o Evangelho de Jesus.

Caboclo estabeleceu as normas em que se processaria o culto. Sessões, assim seriam chamados os períodos de trabalho espiritual, diárias, das 20:00h às 22:00h, os participantes estariam uniformizados de branco e o atendimento seria gratuito.

Deu, também, o nome do Movimento Religioso que se iniciava: UMBANDA – Manifestação do Espírito para a Caridade.

A Casa de trabalhos espirituais que ora se fundava, recebeu o nome de Nossa Senhora da Piedade, porque assim como Maria acolheu o filho nos braços, também seriam acolhidos como filhos todos os que necessitassem de ajuda ou de conforto.

Ditadas as bases do culto, após responder em latim e alemão às perguntas dos sacerdotes ali presentes, o Caboclo das Sete Encruzilhadas passou a parte prática dos trabalhos. O caboclo foi atender um paralítico, fazendo este ficar curado. Passou a atender outras pessoas que haviam neste local, praticando suas curas.

Nesse mesmo dia incorporou um preto velho chamado Pai Antônio, aquele que, com fala mansa, foi confundido como loucura de seu aparelho e com palavras de muita sabedoria e humildade e com timidez aparente, recusava-se a sentar-se junto com os presentes à mesa dizendo as seguintes palavras:

“Nêgo num senta não meu sinhô, nêgo fica aqui mesmo. Isso é coisa de sinhô branco e nêgo deve arrespeitá.”

Após insistência dos presentes fala:

“Num carece preocupá não. Nêgo fica no toco que é lugá di nego.”

Assim, continuou dizendo outras palavras representando a sua humildade. Uma pessoa na reunião pergunta se ele sentia falta de alguma coisa que tinha deixado na terra e ele responde:

“Minha caximba. Nêgo qué o pito que deixou no toco. Manda mureque busca.”

Tal afirmativa deixou os presentes perplexos, os quais estavam presenciando a solicitação do primeiro elemento de trabalho para esta religião. Foi Pai Antonio também a primeira entidade a solicitar uma guia, até hoje usadas pelos membros da Tenda e carinhosamente chamada de “Guia de Pai Antonio”.

No dia seguinte, verdadeira romaria formou-se na rua Floriano Peixoto. Enfermos, cegos etc. vinham em busca de cura e ali a encontravam, em nome de Jesus. Médiuns, cuja manifestação mediúnica fora considerada loucura, deixaram os sanatórios e deram provas de suas qualidades excepcionais. A partir daí, o Caboclo das Sete Encruzilhadas começou a trabalhar incessantemente para o esclarecimento, difusão e sedimentação da religião de Umbanda. Além de Pai Antônio, tinha como auxiliar o Caboclo orixá Malé, entidade com grande experiência no desmanche de trabalhos de baixa magia.

Em 1918, o Caboclo das Sete Encruzilhadas recebeu ordens do Astral Superior para fundar sete tendas para a propagação da Umbanda. As agremiações ganharam os seguintes nomes: Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia; Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição; Tenda Espírita Santa Bárbara; Tenda Espírita São Pedro; Tenda Espírita Oxalá, Tenda Espírita São Jorge; e Tenda Espírita São Gerônimo.

Enquanto Zélio estava encarnado, foram fundadas mais de 10.000 tendas a partir das mencionadas. Embora não seguindo a carreira militar para a qual se preparava, pois sua missão mediúnica não o permitiu, Zélio Fernandino de Moraes nunca fez da religião sua profissão. Trabalhava para o sustento de sua família e diversas vezes contribuiu financeiramente para manter os templos que o Caboclo das Sete Encruzilhadas fundou, além das pessoas que se hospedavam em sua casa para os tratamentos espirituais, que segundo o que dizem parecia um albergue. Nunca aceitara ajuda monetária de ninguém era ordem do seu guia chefe, apesar de inúmeras vezes isto ser oferecido a ele. Ministros, industriais, e militares que recorriam ao poder mediúnico de Zélio para a cura de parentes enfermos e os vendo recuperados, procuravam retribuir o benefício através de presentes, ou preenchendo cheques vultosos.

“Não os aceite. Devolva-os!”, ordenava sempre o Caboclo.

O respeito do uso do termo espírita e de nomes de santos católicos nas tendas fundadas, o mesmo teve como causa o fato de naquela época não se poder registrar o nome Umbanda, e quanto aos nomes de santos, era uma maneira de estabelecer um ponto de referência para fiéis da religião católica que procuravam os préstimos da Umbanda. O ritual estabelecido pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas era bem simples, com cânticos baixos e harmoniosos, vestimenta branca, proibição de sacrifícios de animais.

Dispensou os atabaques e as palmas. Capacetes, espadas, cocares, vestimentas de cor, rendas e lamês não seriam aceitos. As guias usadas são apenas as que determinam a entidade que se manifesta. Os banhos de ervas, os amacis, a concentração nos ambientes vibratórios da natureza, a par do ensinamento doutrinário, na base do Evangelho, constituiriam os principais elementos de preparação do médium. O ritual sempre foi simples. Nunca foi permitido sacrifícios de animais. Não utilizavam atabaques ou qualquer outros objetos e adereços. Os atabaques começaram a ser usados com o passar do tempo por algumas das Tendas fundadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, mas a Tenda Nossa Senhora da Piedade não utiliza em seu ritual até hoje.

Após 55 anos de atividades à frente da Tenda Nossa Senhora da Piedade (1º templo de Umbanda), Zélio entregou a direção dos trabalhos as suas filhas Zélia e Zilméa, continuando, ao lado de sua esposa Isabel, médium do Caboclo Roxo, a trabalhar na Cabana de Pai Antônio, em Boca do Mato, distrito de Cachoeiras de Macacu – RJ, dedicando a maior parte das horas de seu dia ao atendimento de portadores de enfermidades psíquicas e de todos os que o procuravam.

Em 1971, a senhora Lilia Ribeiro, diretora da TULEF (Tenda de Umbanda Luz, Esperança, Fraternidade – RJ) gravou uma mensagem do Caboclo das Sete Encruzilhadas, e que bem espelha a humildade e o alto grau de evolução desta entidade de muita luz.

Ei-la:

A Umbanda tem progredido e vai progredir. É preciso haver sinceridade, honestidade e eu previno sempre aos companheiros de muitos anos: a vil moeda vai prejudicar a Umbanda; médiuns que irão se vender e que serão, mais tarde, expulsos, como Jesus expulsou os vendilhões do templo.

O perigo do médium homem é a consulente mulher; do médium mulher é o consulente homem. É preciso estar sempre de prevenção, porque os próprios obsessores que procuram atacar as nossas casas fazem com que toque alguma coisa no coração da mulher que fala ao pai de terreiro, como no coração do homem que fala à mãe de terreiro. É preciso haver muita moral para que a Umbanda progrida, seja forte e coesa.

Umbanda é humildade, amor e caridade – esta a nossa bandeira.

Neste momento, meus irmãos, me rodeiam diversos espíritos que trabalham na Umbanda do Brasil: Caboclos de Oxossi, de Ogum, de Xangô. Eu, porém, sou da falange de Oxossi, meu pai, e não vim por acaso, trouxe uma ordem, uma missão.

Meus irmãos: sejam humildes, tenham amor no coração, amor de irmão para irmão, porque vossas mediunidades ficarão mais puras, servindo aos espíritos superiores que venham a baixar entre vós; é preciso que os aparelhos estejam sempre limpos, os instrumentos afinados com as virtudes que Jesus pregou aqui na Terra, para que tenhamos boas comunicações e proteção para aqueles que vêm em busca de socorro nas casas de Umbanda.

Meus irmãos: meu aparelho já está velho, com 80 anos a fazer, mas começou antes dos 18. Posso dizer que o ajudei a casar, para que não estivesse a dar cabeçadas, para que fosse um médium aproveitável e que, pela sua mediunidade, eu pudesse implantar a nossa Umbanda. A maior parte dos que trabalham na Umbanda, se não passaram por esta Tenda, passaram pelas que saíram desta Casa.

Tenho uma coisa a vos pedir: se Jesus veio ao planeta Terra na humildade de uma manjedoura, não foi por acaso. Assim o Pai determinou. Podia ter procurado a casa de um potentado da época, mas foi escolher aquela que havia de ser sua mãe, este espírito que viria traçar à humanidade os passos para obter paz, saúde e felicidade. Que o nascimento de Jesus, a humildade que Ele baixou à Terra, sirvam de exemplos, iluminando os vossos espíritos, tirando os escuros de maldade por pensamento ou práticas; que Deus perdoe as maldades que possam ter sido pensadas, para que a paz possa reinar em vossos corações e nos vossos lares. Fechai os olhos para a casa do vizinho; fechai a boca para não murmurar contra quem quer que seja; não julgueis para não serdes julgados; acreditai em Deus e a paz entrará em vosso lar. É dos Evangelhos. Eu, meus irmãos, como o menor espírito que baixou à Terra, mas amigo de todos, numa concentração perfeita dos companheiros que me rodeiam neste momento, peço que eles sintam a necessidade de cada um de vós e que, ao sairdes deste templo de caridade, encontreis os caminhos abertos, vossos enfermos melhorados e curados, e a saúde para sempre em vossa matéria. Com um voto de paz, saúde e felicidade, com humildade, amor e caridade, sou e sempre serei o humilde Caboclo das Sete Encruzilhadas”.

Zélio Fernandino de Moraes dedicou 66 anos de sua vida à Umbanda, tendo retornado ao plano espiritual em 03 de outubro de 1975, com a certeza de missão cumprida. Seu trabalho e as diretrizes traçadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas continuam em ação através de suas filhas Zélia e Zilméa de Moraes, que têm em seus corações um grande amor pela Umbanda, árvore frondosa que está sempre a dar frutos a quem souber e merecer colhê-los.

Fonte: Exú Giramundo

O que é pedir Agô?

É um termo utilizado nas religiões afro-brasileiras e Umbanda, que significa pedir licença ou permissão, em outros momentos este termo traduz perdão e proteção pelo que se está fazendo. Tudo que realizamos no terreiro tem que ter Agô dos Guias Espirituais da corrente e dos nossos. Quando pedimos Agô, nosso Ori – Eu Interno – autoriza a assistência dos falangeiros, harmonizando-nos dentro da Lei de Pemba e de Xangô, sinalizando ao Astral que aceitamos os ritos e liturgias a serem realizados. Assim devemos ceder a nossa passividade mediúnica, angariando proteção e cobertura espiritual.

Exemplos do uso da palavra Agô:
Agô de Exu,
Caminhos abertos para a realização da bem aventurança e corpo fechado para enfermidades, cortes e demandas.
Agô de todos os Orixás, 
Para a saúde, abundância e prosperidade em nossos caminhos.
Agô a todo “povo da banda”; Caboclos, Pretos Velhos, Crianças, Boiadeiros, Ciganos…
Para sempre termos a misericórdia da atuação deles nos trabalhos.

Pérolas de Ramatis

Conheça a Pombagira Cigana

A Pombagira cigana é um dos vários tipos de pombagira. Pombasgira são, geralmente, figuras femininas extremamente sensuais que adoram vestir vermelho e preto sendo especialista em relacionamentos e amor, assim como outras interpretações a veem como uma mulher que sofreu muito e fez outras pessoas sofrerem também.

Em sua essência, a pombagira cigana também carrega algumas dessas características. Para a cultura cigana, as mulheres são a maioria dentre as entidades e, também, são encarregadas do sagrado. Por isso, são figuras de extrema importância. Daí que a entidade da pombagira cigana acaba por ser a síntese de todos os espíritos ciganos.

Por ser uma entidade de enorme importância, ela internaliza praticamente todas as crenças e conhecimentos dos ciganos. Além disso, ela também tem como uma de suas características a inquietude e desejo de liberdade. Isso é uma incorporação das jovens que são contrárias às regras e convenções sociais, por isso esse espírito de liberdade.

Ela normalmente se coloca como uma típica cigana em suas vestes, com um vestido vermelho com detalhes em dourado, brincos de argola, lenço na cabeça e muitas bijuterias. Ela se mostra como uma vidente incrível e, por isso, muitos médiuns a incorporam a fim de trazer suas previsões.

A POMBAGIRA CIGANA E SEUS EFEITOS NA SUA VIDA

Devido a sua grande quantidade de conhecimentos e sua vitalidade e amor à vida, a pombagira cigana acaba por incorporar essas características em suas ações. Ela normalmente é uma entidade cheia de vida, que traz otimismo e a diversão consigo, despreocupada e desprendida dos problemas aprendendo, portanto, a superá-los de maneira leve.

Ao contrário do que é normalmente creditado a pombagira, ela não é um símbolo ou uma entidade ruim. Ainda assim, a sua personalidade muitas vezes é egocêntrica e coloca-se na frente de tudo e todos. Mais ainda, o divertir-se a qualquer custo é algo que se apresenta, o que acaba trazendo um desprendimento da realidade em favor da diversão.


POMBAGIRA CIGANA: AMOR E RELACIONAMENTOS

A sensualidade e beleza da pombagira cigana faz com que ela seja uma entidade especialista nos assuntos do coração. Normalmente ela é invocada também para fazer amarrações, uma vez que é raro homens conseguirem ir contra os poderes dela. Ela une as pessoas no amor e pode abrir – ou fechar – os caminhos para esse amor.

Isso não significa, porém, que a pombagira cigana seja invocada apenas para esses trabalhos. Ela também ajuda com problemas sentimentais, assim como alguns problemas burocráticos e até judiciários. É normal que esses trabalhos sejam acompanhados de oferendas para a entidade, como jóias, perfumes e cigarros.

WeMystic

Oração ao Exú Tranca Rua das Almas

Senhor Tranca-Rua das Almas, senhor do sétimo grau de evolução da lei maior de Ogum, conhecedor de todas as magias e demandas praticadas por seres sem luz, interceda em meu caminho livrando-me de toda a energia que possa atrapalhar minha evolução; fazei de meus pensamentos uma porta fechada para a inveja, discórdia e egoísmo.

Dos sete caminhos por ti ultrapassados, foi na rua que passou a ser dono de direito, abrindo as portas para os espíritos que merecem ajuda e evolução e fechando para os que querem praticar a maldade e a inveja contra seus semelhantes. Fazei meu coração mais puro que meus próprios atos; Fazei de minhas palavras a transparência da humildade; Fazei do meu corpo aparelho da caridade. Pois a teu lado demanda co-migo não existirá, estarei coberto por sua capa que protege e abriga seus filhos.

Senhor Tranca-Ruas das Almas agradeço por tudo que me fizeste aprender nesta vida e em outras que passei ao seu lado, rogo por vós a proteção para mim, para meus irmãos de fé, para minha família e porque não para meus inimigos Abençoe a guarde esses filhos que um dia entenderam o verdadeiro sentido da palavra Umbanda.
Laroiê Exu !

O idioma Iorubá vira patrimônio imaterial do Rio

O Rio de Janeiro deu um grande passo na afirmação da influência da cultura africana na constituição do Brasil. A partir de agora, o Iorubá foi oficializado como patrimônio imaterial.

O Projeto de Lei, aprovado pela Assembleia Legislativa (Alerj), reforça a importância da preservação da cultura africana como elemento fundamental para a luta contra discriminação racial.

No caso do Rio de Janeiro, isso se dá de forma ainda mais intensa. Segundo dados apresentados pelo IBGE, o estado é dono de uma das maiores concentrações de descendentes e praticantes de religiões negras, especialmente as com elementos das culturas Nagô e Iorubá.

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A decisão ajuda na luta pela afirmação da contribuição africana na formação do Brasil

Aliás, os terreiros de Candomblé atuam como verdadeiros guardiões destas expressões culturais. Dentro dos barracões, é muito comum as pessoas se comunicarem utilizando palavras da língua do continente africano. No Candomblé ketu e efon, licença vira àgò e comida se transforma de ajeun e por aí vai.

Daí o significado de manter viva a memória ancestral, especialmente se tratando de um país como o Brasil, fundado por meio da escravidão e que até os dias de hoje insiste em não se reconhecer como uma nação negra da diáspora africana. Ou seja, a eleição do Iorubá como patrimônio imaterial atua em consonância com as ações afirmativas, além de impedir o crescimento do preconceito religioso que persegue o Candomblé, por exemplo.

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O ritmo afoxé é uma mistura entre a cultura brasileira e iorubá

Historicamente, os iorubás habitavam o reino de Ketu (atual Benim) e o Império de Oyo, na África Ocidental. Até meados de 1815, eles foram trazidos ao Brasil como escravizados, durante o que ficou conhecido como Ciclo da Costa da Mina.

No Brasil, a cultura está presente em todo o território nacional, mas pode ser percebida com mais intensidade na Bahia, sobretudo na capital Salvador. Estima-se que existam 45 milhões de iorubás no mundo, sendo que 40 milhões deles vivem na Nigéria.

Fonte: Hyperness

A Umbanda comemorou 111 anos (2019)

No dia 15 de novembro de 1908, o médium Zélio Fernandino de Moraes deixou todos perplexos na sessão da Federação Espírita de Niterói, já que no dia anterior ele estava acamado em cima da cama com uma inexplicável paralisia que os médicos não conseguiam diagnosticar a causa.

Zélio foi convidado a sentar-se à mesa dos médiuns. Porém, antes disso, por um impulso, foi ao jardim, colheu uma rosa e colocou-a no centro da mesa. Passados alguns momentos, Zélio incorporou uma Entidade que quando lhe perguntaram o nome, aquela Entidade respondeu de forma enfática: “Se querem um nome, podem me chamar de Caboclo das 7 Encruzilhadas” e completou anunciando que ali se iniciava um novo Culto, onde o alicerce seria o amparo espiritual baseado na caridade e fraternidade. Naquele momento nascia a Religião de Umbanda, onde os espíritos se apresentavam como Caboclos, Pretos Velhos, Crianças, Exus e Pombagiras.

Nascida no Brasil, a Umbanda orgulhosamente congrega Terreiros nos quatros cantos do mundo. Quantas bênçãos, graças e milagres aconteceram e acontecem nos Terreiros de Umbanda! Mesmo quando perseguida ou mal interpretada, a Umbanda tem a força e a luz espiritual da resistência. Resistência esta que neste ano completa 111 anos. 111 anos de culto à paz e ao amor, onde a igualdade social, o respeito e o espírito de fraternidade é uma realidade.

Parabéns, Umbanda e Umbandistas! Saravá!!!

Saravá Umbanda

(Tião Casemiro)

Saravá Umbanda!

Umbanda Saravá.

Sarava Umbanda!

Umbanda Saravá.

Oh! Babá

Pai Oxalá.

No meu gongá!

Os Orixás.

Okê Caboclos!

Os Pretos Velhos.

A Caridade!

Fraternidade!

Laroiê!

Programação:

Fonte: Jornal EXTRA

Como funciona a Umbanda – Entenda as suas vertentes

Diversas religiões possuem vertentes para agrupar crenças ou segmentos diferentes. Algumas delas tem a sua divisão bem clara, porém em outras, encontrar uma definição para cada aspecto pode ser mais complicado. Como por exemplo, para entender como funciona a Umbanda, é preciso saber da existência das várias linhas e cada uma delas possui uma particularidade.

Existem diferenças desde a forma de doutrina até a organização do espaço. Uma linha da Umbanda possui relação direta com o espiritismo e nelas percebemos mais claramente as ideias de Kardec. Já as outras ramificações são mais voltadas para as religiões de origem africana e também cultuam os Orixás. E é assim como funciona a Umbanda, quer saber mais? Confira!

Entendo como funciona a Umbanda

Para saber como funciona a Umbanda, podemos dizer que a vertente mais kardecista é aquela conhecida como mesa branca e realizam maioritariamente sessões espíritas. A outra realiza sessões com pretos velhos, caboclos, utilizam os atabaques e tem característica mais africana.

As velas – Até agora falamos das influências africanas, indígenas e espiritas nesta religião e as velas vêm justamente do catolicismo. Os umbandistas também associam a cor da vela à determinada entidade. As velas verdes, por exemplo, representam as entidades das matas, as pretas e vermelhas Exú e assim por diante.

Os atabaques – As vertentes umbandistas que utilizam os atabaques o fazem porque acreditam ser importante ajuda na hora da incorporação do médium. E o modo como funciona a Umbanda obriga que as pessoas responsáveis por tocar o instrumento sejam consagradas, mas não são iguais os Ogans do Candomblé.

Como funciona a Umbanda e a mediunidade

A mediunidade é fundamental para a Umbanda, tendo em vista que o objetivo principal da mesma é promover a evolução do espírito por meio da caridade. O médium, também denominado de cavalo ou aparelho, cede seu corpo para que as entidades incorporem. Essas entidades vêm para atender pessoas que necessitam de ajuda espiritual para resolver problemas.

Sabendo como funciona a Umbanda, você entenderá que as oferendas, por sua vez, são usadas para que o espírito consiga exercer um maior controle sobre o médium. É uma espécie de agrado que também serve para fazer a limpeza do aparelho. Elas também podem ser realizadas de acordo com cada linha, cada entidade e o sacerdote responsável pela casa é quem vai orientar e organizar esses atos.

Fonte: Astro Centro

A Crise Política do Brasil e a espiritualidade

A crise política no brasil tem sido grande catalisador de todo tipo de polêmica na sociedade e isso tem causado inclusive comunicações espirituais de guias de renomadas casas espíritas nos convocando à calma e ao pensamento cristão antes de tudo. Afinal, como o espírita deve encarar a situação complicada que se encontra o debate democrático no brasil?

Inicialmente gostaria de salientar que este artigo é desprovido de qualquer posicionamento político-partidário e visa tão somente a reflexão espírita, baseada nos preceitos doutrinários cristãos-espíritas. Dito isso imaginemos a pintura do atual sistema político brasileiro. Vivemos em um estado onde as riquezas naturais misturadas com o ambiente de harmonia evangélica tem sido alvo constante de abalos sociais gravíssimos.

Diariamente somos bombardeados de novas notícias entristecedoras e as vezes até mesmo chocantes sobre quanto o debate democrático no Brasil tem sofrido inúmeros golpes ao longo dos anos.

Somos a pátria do evangelho como diz Humberto de Campos no livro de mesmo nome. A pátria onde Jesus depositou toda sua esperança em uma renovação de ideais cristãos para o mundo. Devido a isso temos sido berço de almas extremamente necessitadas de um novo começo desde os tempos mais remotos da colonização. Espíritos infelizes se misturam a espíritos missionários em busca de renovação espiritual em solo novo e fértil da pátria do cruzeiro do sul.

Nesta mistura, nasce o Brasil. País de intermináveis riquezas naturais, pra onde se voltam as esperanças do mundo de uma nação focada na moral cristã. Com o passar do tempo o Brasil se torna alvo de saques, golpes, inúmeros atos contrários a democracia e com requintes de maldade que abalam a base de nossa nação.

Por meio de inescrupulosos, a nação sofre seus abalos que ao longo do tempo culminam no atual panorama que vivemos. Diante disso, percebemos, como espíritas, mais do que nunca a necessidade de equilíbrio na tomada de decisões, no diálogo e no debate , saudável, de ideias para o futuro de nosso país.

A crise atual tem caráter espiritual, visto que deixou-se de analisar as situações com olhares gerais e tem-se uma onda de egoísmo, onde grupos buscam apenas causas em seu próprio benefício e esquecem que fazemos parte de um todo. Vemos muitos espíritos encarnados ferrenhos defensores de ideais que humilham ou menosprezam outros grupos e com isso percebemos a escalada do egoísmo e da invigilância geral do pensamento da população.

O verdadeiro espírita se isenta de debates infrutíferos e busca o equilíbrio sempre. Com nossa crença, não podemos mais aceitar que certos erros do nosso pretérito sejam cometidos por nós. A busca pelo aprimoramento moral do espírita é constante e por isso não defendemos ideologias que pregam ódio, discriminação e violência como estandartes de política pública.

Buscamos, com isso, entender que a democracia é a serviço de todos e precisa ser respeitada conforme a decisão da maioria. Não obstante fazemos nossa parte , escolhendo representantes através do que cremos ser o mais próximo de sociedade ideal ou de caminho justo para a evolução do conjunto humanidade.

O espírita repudia atos de violência, pois ele mesmo busca não mais os comete-los e os próprios espíritos nos recomendam a ação pautada no respeito e no equilíbrio, sempre porém, vislumbrando a caridade como escopo do espírita. Através da caridade sabemos que o mundo se reerguerá diante da confusão natural de um momento decisivo onde estamos testemunhando em favor da nossa fé.

Avante espíritas! não desanimem diante de quadro tão perverso que se desenha. Sejamos a luz da sensatez humana a iluminar o caminho de desmandos e de ilusões. A caridade como nossa bandeira nos guiará a um futuro melhor. Sejamos participativos do processo democrático do Brasil, sem contudo nos contaminarmos da fraqueza e invigilância tão comum em nos seres humanos. Busquemos sempre atenção para com o próximo e ante a dúvida mais sombria, pensem em como Jesus procederia e ali terás sua resposta.

A democracia se faz com a participação de todos e o espiritismo encoraja-nos a auxiliar sempre com presteza, a educar sempre com clareza e acima de tudo, a tratar com amor a todos que povoam nosso entorno.

Não desgastar-se com o irmão que ainda encontra-se na cegueira proposital. Sabemos que a necessidade de cada um é conhecida somente por Deus. Trabalhemos a nossa paciência diante de quadro tão confuso para que na meditação mais profunda encontremos o caminho do meio, o caminho da paz.

Então, a crise política atual nada mais é que a falência moral do homem sendo posta a público. Cabe a nós espíritas o entendimento, o perdão e a paciência. Agir com caridade é nossa missão em qualquer situação que se apresente. Que Deus possa iluminar a mente dos futuros soberanos do Brasil e que possa estender sua misericórdia e benevolência por toda sua população. Muita paz a todos vocês, e muita fé no futuro.

Por Espiritismo da Alma (Felipe Gama)

Chico Xavier E PombaGira: A relação entre o espiritismo e a umbanda

O espiritismo e a umbanda são religiões moldadas a partir do contato com outras entidades e o cristianismo. O espiritismo veio da França, através de Allan Kardec, com os ensinamentos de reencarnação, a mediunidade e a comunicação com as entidades. E a Umbanda, por sua vez, que surgiu no século XX no Rio de Janeiro, principalmente durante os períodos de escravidão brasileira, com conceitos muito próximos do espiritismo, como a espiritualidade, o culto a Deus e o processo de reencarnação. Neste artigo entenda qual a ligação entre Chico Xavier e Pombagira.

Entretanto, muitas polêmicas se criaram quando da chegada de pombagira ao Brasil, junto com a Umbanda. O catolicismo da época a nomeou como a figura diabólica daquela região e, com isto, a imagem da pombagira foi se negativizando. Mas o que Chico Xavier e pombagira têm em comum?

Bem, pombagira, como qualquer outra entidade, é um espírito para ambas as religiões. Chico Xavier dizia que devemos respeito a todos os espíritos, pois todos são mutáveis e decisões arrogantes podem trazer consequências para a imortalidade. Como a imagem da pombagira intrigou os católicos no período colonial brasileiro, muitas pessoas, até mesmo alguns adeptos do espiritismo, alimentavam preconceitos em relação a esta entidade.
Por outro lado, Chico Xavier sempre pregou que o conhecimento de todo o mundo espiritual é necessário, antes mesmo que o vejamos com os olhos terrestres.

POMBAGIRA: SEU SIGNIFICADO ESPIRITUAL

A pombagira, segundo Chico Xavier, é uma entidade com forte intensidade espiritual. Precisamos entender por que ela foi tão mal vista entre os católicos. Bem, antes de tudo, a pombagira se caracteriza por ser o Exu em sua forma feminina, ou seja, seus níveis de luz são extremamente elevados e possuem ligações diretas com os Orixás. A pombagira é a mulher bem-arrumada que sempre se mostra envolta pelo manto escarlate da sensualidade. Com maquiagem forte e cigarrilhas à boca, ela é a figura-alvo da liberdade espiritual.

A partir da sua imagem, os cristãos e certos espíritas não conseguiram incluí-la em seus cultos, principalmente nos rituais de tradição do espiritismo e, por isso, ela ganhou apenas uma visão demonizada. Sabe-se que na África não havia distinção entre o bem e o mal, como distinguimos hoje no ocidente, através do discurso judaico-cristão. Portanto, foi mais cômodo referenciar a pombagira ao lado que feriam os dogmas da Igreja da época, como o cigarro, a sensualidade da mulher, a liberdade de viver a sua essência e o charme. Estas características foram interpretadas por Chico Xavier como apenas a liberdade do Exu-feminino, sem que houvesse a necessidade de enquadrá-lo em outras doutrinas. A pombagira estimula na mulher a sua virtude feminina, visto que todas as mulheres – que são incorporadas por esta entidade – revelam um chacra repleto de uma beleza divina e poderosa.

As ideias e vivências de Chico Xavier e pombagira têm visões conjuntas de liberdade e intensidade naquilo em que se vive, pois a vida numa encarnação é única e esta nunca retorna, apenas prossegue rumo à eternidade.


Veja aqui as declarações de Chico Xavier sobre Umbanda e espíritos de luz, no programa Pinga Fogo de 1971.

Por WeMystic

Alerj aprova São Jorge e São Sebastião para padroeiros do estado

Nesta quinta-feira, 18/04, a Alerj aprovou o projeto de lei que transforma São Jorge, o santo guerreiro, em padroeiro do estado. O projeto é de autoria do presidente da Casa, André Ceciliano (PT), e de Gustavo Schmidt (PSL). O texto recebeu, ainda, uma emenda do deputado Luiz Paulo (PSDB).

Agora, São Jorge, que é um santo extremamente popular no Rio, se junta a São Sebastião na proteção do estado do Rio de Janeiro.

Luiz Paulo argumentou que em algumas religiões de matriz africana Jorge e Sebastião são ligados aos irmãos Ogum e Oxóssi, orixás da estrada e da mata. Por isso, considerou justo que compartilhassem o posto de padroeiros do Rio.

Por: Felipe Lucena  do Diario do Rio