A formação de um Genuíno Sacerdote

Não façam ritos que não saibam fazer (novamente avisa: não troquem a conta sagrada pelo nome).

O sacerdote deve saber distinguir entre o ser profano e o ser sagrado, o ato profano e o ato sagrado, o objeto profano e o objeto sagrado.

Não se podem realizar rituais sem que se tenha investidura e conhecimento básico para realizá-los. Chamar a todos, é considerar a todos, indiscriminadamente, como seres talhados para a missão sacerdotal, o que é uma inverdade ou, o que é pior, uma manipulação de interesses. Da mesma forma que nem todas as contas servem para formar-se o colar de uma divindade (como as contas sagradas), nem todos os seres humanos nasceram fadados para a prática sacerdotal.

Para ser um sacerdote são necessários inúmeros atributos morais, intelectuais, procedimentais e vocacionais. A simples iniciação de um ser profano, desprovido destes atributos básicos e essenciais, não o habilita como um sacerdote legítimo e legitimado. Da má interpretação e inobservância deste mandamento resulta a grande quantidade de maus sacerdotes que proliferam hoje em dia dentro do Culto. Observa-se a diferença entre “ser sacerdote” e “estar sacerdote”. Aquele que se submete à iniciação visando tão somente o status de sacerdote, jamais será um verdadeiro sacerdote. Estará sacerdote, cargo adquirido pela iniciação, mas jamais será sacerdote, condição imposta por sua vocação, dedicação, espiritualidade e desprendimento. Caberá ao sacerdote iniciador do neófito consultar Ifá, com muito critério, para apurar se aquele noviço será realmente digno do sacerdócio.

FONTE DO TEXTO: 2º mandamento de IFÁ.

A Caridade começa por mim

Fazer a caridade para o próximo é algo nobre, divino e fraterno, mas a pregunta que este nêgo quer deixar a vosmecês para refletirem é:
Até que ponto esta caridade têm seu real valor se falta a caridade para consigo mesmo?
Ser caridoso só com os outros tem trazido paz e harmonia nos pensamentos e no coração dos fios?
Tem sanado as dores morais?
Tem promovido o avanço dos fios no que tange a libertação de consciência e a reforma íntima?
Reflitam mió se suas atitudes estão dentro desta máxima ensinada pelo Nossu Sinhô Jesus Cristo:
Amar ao próximo COMO A SI MESMO.
Tão equilibradas as vossas ações?
Tudo que dá ao próximo, vosmecê dá a si mesmo?
Não será esta lacuna, está falta DO AMAR A SI MESMO, fazer tudo de bom a si mesmo assim como faz ao próximo a razão de suas dores emocionais, desequilíbrios de toda a ordem e doenças físicas?
Como atribuir tudo ao “carma”, ou seja as dores que colhem como atos de vidas passadas senão aplicaram ainda o AMOR A SI MESMO para constatar que realmente estão sob os efeitos do “carma”?
Se acreditam que o AMOR AO PRÓXIMO, a caridade, pode atenuar os efeitos da colheita de atos pretéritos indignos, o que pensar sobre essa mesma atenuação se aplicarmos o AMOR e a Caridade para conosco, juntamente para com o próximo?
Isso poderia potencializar seus efeitos? o efeito da colheita?
Nesse sentido não seria o caso de promovermos experiências para tirarmos nossas próprias conclusões?
Não seria este aprendizado, o resultado dessa experiência, o fortalecimento ou a mudança de uma crença para outra mais libertadora com base em uma fé raciocinada se constatada pela experiência?
Muitas preguntas né muzanfios queridos?
Mas as respostas vosmecês encontrarão se tiverem a coragem de testar, experimentar, abandonar velhos conceitos, analisar os fatos à luz da razão, da experiência e da Ciência.
Que Nossu Sinhô Jesus Cristo nos envolva em sua paz.

Pai João de Angola
__________________________________________
Mensagem extraída do Livro Sabedoria de Pai João, disponível na versão digital

www.facebook.com/sabedoriadepaijoao

Nossa Senhora de Aparecida

Oração a Nossa Senhora Aparecida

Ó incomparável Senhora da Conceição Aparecida, Mãe de Deus, Rainha dos Anjos, Advogada dos pecadores, refúgio e consolação dos aflitos e atribulados, Virgem Santíssima, cheia de poder e de bondade, lançai sobre nós um olhar favorável, para que sejamos socorridos por vós, em todas as necessidades em que nos acharmos.

Lembrai-vos, ó clementíssima Nossa Senhora Aparecida, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que têm a vós recorrido, invocado vosso santíssimo nome e implorado a vossa singular proteção, fosse por vós abandonado. Animados com esta confiança, a vós recorremos.

Tomamo-vos para sempre por nossa Mãe, nossa protectora, consolação e guia, esperança e luz na hora da morte. Livrai-nos de tudo o que possa ofender-vos e ao vosso Santíssimo Filho, Jesus.

Preservai-nos de todos os perigos da alma e do corpo; dirigi-nos em todos os assuntos espirituais e temporais. Livrai-nos da tentação do demónio, para que, trilhando o caminho da virtude, possamos um dia ver-vos e amar-vos na eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amem.

As crianças da Umbanda

A linha de Cosme e Damião reúne os espíritos erês, as crianças que desencarnaram antes dos oito anos.

Trabalham nos terreiros sempre brincando e fazendo uma algazarra enorme, gostam de balas, refrigerantes, chupetas, bolinhas, gorros, carrinhos, bonecos e bonecas, enfim, tudo que as crianças da terra realmente gostam. Seus jeitos graciosos, encantam a todos nos terreiros, mas têm que ser controlados pelos dirigentes com muita determinação, porque normalmente procuram fugir das ordens da hierarquia, mais para brincar do que por desrespeito. Alguém perguntou ao Caboclo Akuan a razão das crianças ficarem sentadas nos terreiros,:

– Porque senão vocês não conseguem dominá-los. Respondeu de forma simples e objetiva.

Se hoje, com a experiência que adquirimos na vida, pudéssemos voltar à infância, com certeza seríamos meninos prodígios. Imaginem então uma criança com sete anos, com a experiência de várias reencarnações. E assim são as crianças na umbanda.

Recebi um telefonema de um senhor do interior do Estado, dizendo ter sido vítima de um trabalho espiritual e seu gado estar morrendo. Convidei-o para vir ao terreiro fazer uma consulta. Ele veio, fez a consulta com um preto-velho. Após a linha africana, chamamos as crianças. O homem, sem arredar o pé do terreiro, talvez pelo interesse de assistir os trabalhos até o seu final, ficou assistindo a chegada das crianças. O Tião, nome da entidade, incorporada na Rita, parou na sua frente. Sentada, perguntou se podia fazer um desenho com a pemba, para ele. Riscou no chão do terreiro um mapa, como se fosse feito em vários pedaços, e dentro desenhou três corações.

– Tio, esses corações são seus três filhos.

O homem confirmou ter três filhos, demonstrando surpresa, pois ali ninguém o conhecia.

– Este desenho é tua terra, feita por vários pedaços.

Mais uma vez o fazendeiro confirmou que sua fazenda foi formada, com a aquisição de várias propriedades menores e vizinhas.

O Tião riscou, no meio do mapa, fazendo curvas, um risco como se identificasse um rio. Marcou nele um trecho com a pemba, e disse:

– Tio, teus bichinhos estão morrendo porque aqui a água está ruim por causa daquele veneno feio que você joga nas plantas. Finalizou, largando a pemba, e foi puxar o cabelo de uma outra criança que passava perto.

Outra ocasião, eu me dirigia ao congá para encerrar a gira, quando uma médium chamou minha atenção, afirmando estar sentindo a presença de um espírito querendo incorporar. Sou exigente, tudo tem seu momento, e aquele, com certeza, não era oportuno a qualquer tipo de incorporação.

– Segure a entidade, que agora não pode haver outras incorporações. Adverti, austeramente.

– Mas está muito forte, não sei se vou conseguir.

Dirigente tem que estar atento para todos os sinais. Como a médium era experiente, em condições de dominar, quando quisesse, as suas incorporações, fiquei em dúvida, se permitia ou não. O bom senso me fez mudar de idéia.

– Está certo, pode incorporar. E mais ninguém. Recomendei à corrente.

Imediatamente ela jogou-se no chão, rindo, batendo palmas, veio cumprimentar a hierarquia. Correu para o centro do terreiro, e sob o olhar de toda a corrente, olhou para mim e pediu:

– Vô, quero um dólar.

– O quê? Você quer um dólar? Para que você quer um dólar? Perguntei, sob o riso geral.

– Eu quero um dólar, senão não vou embora. Ameaçou.

Dirigindo-me à assistência, perguntei se alguém tinha um dólar para dar à criança. Alguém disse ter uma nota de dez dólares.

– Não, eu quero só um dólar. Reclamou a criança.

Uma moça, nos fundos da assistência, acusou:

– Eu achei na minha carteira uma nota de um dólar. Informou, já com a nota americana na mão. Convidei-a para entrar no terreiro e fazer a entrega da nota à entidade.

Junto comigo estava um pai-de-santo que veio nos visitar. Cochichando expliquei para ele:

– Esta moça, dona da nota, tem câncer na garganta.

Ela sentou na frente da criança e fez a entrega da nota. O espírito, fazendo muita festa com o presente ganho, bateu palmas, o pôs de lado e iniciou uma massagem na garganta da moça, exatamente no lugar da doença. Por sinal, hoje está completamente curada, claro não pela criança, mas não tenho dúvida que ela teve uma participação muita grande nesta graça.

Até hoje o pai-de-santo visitante ainda comenta o caso do dólar na linha das crianças e a forma esperta que teve de trazer a moça ao meio do terreiro para jogar sua vibração em sua doença.

Fonte: Pai Maneco

O uso de colares, pulseiras e talismãs é tão antigo quanto a própria humanidade

Todos os povos antigos pesquisados adotavam o uso de colares confeccionados com pedras roladas, seixos, dentes de animais, pérolas, penas, sementes, pedaços de ossos ou de madeiras esculpidas, conchas, unhas de certos animais, cabelos humanos ou crinas de animais trançados, etc.

São tantas as coisas usadas na confecção de colares que não nos é possível listar todas.

O uso com respeito de colares confeccionados de forma rudimentar se perde no tempo, tendo começado em eras remotas, quando ainda vivíamos em cavernas ou éramos nômades, mas precisávamos de protetores contra o mundo sobrenatural inferior ou contra o perigo de animais e insetos venenosos ou os malefícios feitos por outras pessoas, etc.

Então, que fique claro aos umbandistas que o uso de colares ou “guias de proteção” não é uma coisa só da Umbanda ou dos cultos afros aqui estabelecidos. Inclusive, os índios americanos também usavam e ainda usam colares, braceletes, pulseiras e talismãs, tal como fazia e faz o resto da humanidade.

Os padres da Igreja Católica usam rosários, crucifixos pendurados no pescoço (um colar, certo?), escapulários, etc., assim como todos os sacerdotes da maioria das religiões atuais o fazem com seus colares consagrados.

Enfim, não há nada de excepcional, incomum ou fetichista no fato de os médiuns umbandistas usarem colares de proteção ou de trabalhos espirituais quando incorporados pelos seus guias.

O uso de colares era tão comum na Antiguidade que originou a ourivesaria e a joalheria como indústrias manufaturadoras de colares, pulseiras, braceletes, talismãs, tiaras, etc., para atender aos sacerdotes e aos fiéis mais abastados que preferiam ter objetos de proteção confeccionados com pedras e metais preciosos e de difícil aquisição pelo resto dos membros dos clãs ou tribos do passado.

Reis, rainhas, príncipes, imperadores, ministros, etc., que formavam a elite dos povos antigos, não usavam colares comuns ou de fácil confecção, mas recorriam a artesãos especializados para confeccioná-los, tomando a precaução de terem colares únicos e de mais ninguém.

Cadáveres eram enterrados com colares, talismãs, etc., pois precisavam proteger seus espíritos no mundo dos “mortos”, assim como haviam precisado deles aqui no mundo dos “vivos”, e isso acontece até os dias de hoje na cultura ocidental cristã, na qual o uso antigo de colares mágicos e protetores perdeu seus fundamentos, sendo substituídos por gravatas, lenços, cachecóis, fitas, etc. que envolvem o pescoço dos vivos e dos cadáveres, certo?

Portanto, irmãos(ãs) umbandistas, não se sintam constrangidos(as) por usar em público colares ou “guias”, pois não é em nada diferente do que todo mundo faz.

Bem, até aqui só comentamos o que é história e fato com provável observando os sacerdotes e fiéis de todas as religiões que, sem se aperceberem disso, usam esse recurso mágico para se proteger do mundo sobrenatural.

Logo, o uso de guias ou colares, braceletes, pulseiras, tiaras (proteção à cabeça ou coroa), etc. tem fundamento mágico e deve ser entendido e aceito por todos os umbandistas como um dos fundamentos mágicos da nossa religião. Desde o seu início, fomos instruídos a usá-los pelos nossos guias espirituais, que os consagram e os usam durante os passes mágicos-energéticos dados nos consulentes em dias de trabalho.

Só que a maioria dos umbandistas compra colares, braceletes, pulseiras, talismãs, etc. sem saber ao certo quais são seus poderes ou usos mágicos. E vemos muitos médiuns com muitos colares belíssimos no pescoço, mas que, se perguntados sobre o porquê de usarem tantos de uma só vez, responderão que seus guias espirituais lhes pediram.

E, se perguntados sobre os fundamentos de cada um deles, infelizmente não saberão dizer quais são, porque isso não é ensinado regularmente na Umbanda e o pouco que sabem foi ensinado por seus guias espirituais.

Na Umbanda não existem muitas pessoas preocupadas com os seus fundamentos divinos, espirituais, mágicos, litúrgicos, etc., e todos querem “resultados” e ponto final.

Só que isso, essa falta de preocupação com os fundamentos, está deixando de lado importantes conhecimentos e fazendo com que objetos mágicos sagrados sejam utilizados de forma profana e objetos profanos sejam usados como se fossem sagrados, pois já não há informações correntes e de fácil acesso aos médiuns umbandistas, ensinando-os corretamente e esclarecendo sobre quando e como usar colares, braceletes, pulseiras, talismãs, etc.

E não adianta os mais “antigos” ficarem contrariados por essa nossa afirmação, pois ou não sabiam quais eram esses fundamentos, e por isso não ensinaram aos seus filhos-de-fé ou então, se sabiam e não ensinaram, são os responsáveis pelo que está acontecendo com os novos umbandistas, que não têm quem ensine nada a respeito, certo?

Curta: Sabedoria De Preto Velho
Siga no Instagram:@oficialsabedoriadepretovelho
Acesse Nosso Site:www.perolasdamacumba.com.br

vó maria

A ingratidão é um dos frutos mais imediatos do egoísmo

Vovó Maria fumegava seu pito e batia seu pé

ao som da curimba enquanto observava o terreiro, onde os cambones movimentavam-se atendendo aos pretos velhos e aos consulentes. Mandingueira, acostumada a enfrentar de tudo um pouco nos trabalhos de magia, sabia perfeitamente como o mal agia tentando disseminar o esforço do bem.

Sob variadas formas, as trevas vagavam por ali também.

Alguns em busca de socorro; outros, mal-intencionados, debochavam dos trabalhadores da luz. Muitos chegavam grudados no corpo das pessoas, qual parasitas sugando sua vitalidade.

Outros, por sobre seus ombros, arqueando e causando dores nos hospedeiros, ou amarrados nos tornozelos, arrastavam-se com gemidos de dor. Fora os tantos que eram barrados pela guarda do local, ainda na porta do terreiro e que, lá de fora, esbravejavam palavrões.

Da mesma forma, o movimento dos exus e outros falangeiros se fazia intenso no lado astral do ambiente, para que, dentro do merecimento de cada espírito, pudessem ser encaminhados.

Uma senhora com ares de madame se aproximou da preta velha para receber atendimento. Vinha arrastando uma perna que mantinha enfaixada.

– Saravá, filha – falou Vovó Maria, enquanto desinfetava o campo magnético da mulher com um galho verde, além de soprar a fumaça do palheiro em direção ao seu abdome, o que fez com que a mulher demonstrasse nojo em sua fisionomia.

Fingindo ignorar, a preta velha, cantarolando, continuou a sua limpeza. Riscando um ponto com sua pemba no chão do terreiro, pediu que a mulher colocasse sobre ele a perna ferida.

“Será que não vai pedir o que tenho?”, pensou a mulher, já arrependida por estar ali naquele lugar desagradável. “Vou sair daqui impregnada por estes cheiros!”

Vovó Maria sorriu, pois captara o pensamento da mulher, mas preferiu ignorar tudo isso. O que a mulher não sabia era a gravidade real do seu caso, ou seja, aquilo que não aparecia no físico. Se ela pudesse ver o que estava causando a dor e o inchaço na perna, aí sim, certamente ficaria muito enojada. Na contraparte energética, abundavam larvas que se abasteciam da vitalidade do que já era uma enorme ferida e que breve irromperia também no físico.

Além disso, uma entidade espiritual, em quase total deformação, mantinha-se algemada à sua perna, nutrindo, assim, essas larvas astrais. Para qualquer neófito, aquilo mais parecia um cadáver retirado da tumba mortal, inclusive pelo mau cheiro que exalava.

Com a destreza de um mago, a preta velha sabia como desvincular e transmutar toda essa parafernália de energias densas, libertando e socorrendo a entidade escravizada a ela.

Feitos os devidos “curativos” no corpo energético da mulher, Vovó Maria, que à visão dos encarnados não fez mais que um benzimento com ervas e algumas baforadas de palheiro, dirigiu-se agora com voz firme à consulente:

– Preta Velha até aqui ouviu calada o que a filha pensou a respeito do seu trabalho.

Agora preciso abrir minhas tramelas e puxar sua orelha.

Ouvindo isso, a mulher afastou-se um pouco da entidade, assustada com a possibilidade de que ela viesse mesmo a lhe puxar a orelha.

“Escutou o que pensei? Ah, essa é boa. Ela está blefando comigo.”, pensou novamente a mulher.

– Se a madame não acredita em nosso trabalho, por que veio aqui buscar ajuda? Filha, não estamos aqui enganando ninguém. Procuramos fazer o que é possível, dentro do merecimento de cada um.

– É que me recomendaram vir me benzer, mas eu não gosto muito dessas coisas…– …e só veio porque está desesperada de dor e a medicina não lhe deu alento, não foi ilha? – complementou a preta velha.

– Os médicos querem drenar a perna e eu fiquei com medo, pois nos exames não aparece nada, mas a dor estava insuportável.

– Estava? Por quê, a dor já acalmou?

– É, agora acalmou, parece que minha perna está amortecida.

– E está mesmo, eu fiz um curativo.

A mulher, olhando a perna e não vendo curativo nenhum, já estava pronta para emitir um pensamento de desconfiança quando a preta velha interferiu:

– Vá para sua casa, filha, e amanhã bem cedo colha uma rosa do seu jardim, ainda com orvalho, e lave a sua perna com ela, na água corrente. Ao meio-dia o inchaço vai sumir e sua perna estará curada.

Não ousando mais desconfiar, ela agradeceu e já estava saindo quando a preta velha a chamou e disse:

– Não se esqueça de pagar a promessa que fez pra Sinhá Maria, antes dela morrer…

Arregalando os olhos, a mulher quase enfartou e tratou de sair daquele lugar imediatamente.

O cambone, que a tudo assistia calado, não agüentando a curiosidade perguntou que promessa foi essa.

– Meu menino, o que nós escondemos dos homens fica gravado no mundo dos espíritos.
Essa filha, herdeira de um carma bastante pesado por ter sido dona de escravos em vida passada e, principalmente, por tê-los ferido a ferro e fogo, imprimindo sua marca na panturrilha dos negros, recebeu nesta encarnação, como sua fiel cozinheira, uma negra chamada Sinhá Maria.

Esse espírito mantinha laços de carinho profundo pela madame desde o tempo da escravidão, quando foi sua “Bá” e, por isso, única poupada de suas maldades. Nessa encarnação, juntaram-se novamente no intuito de que a bondosa negra pudesse despertar na mulher um pouco de humildade, para que esta tivesse a oportunidade de ressarcir os débitos, diante da necessidade que surgiria de auxiliar alguém envolvido na trama cármica.

Sinhá Maria, acometida de deficiência respiratória, antes de desencarnar solicitou à sua patroa que, na sua falta, assistisse seu esposo, que era paraplégico, faltando-lhe as duas pernas.

Deixou para isso todas as suas economias de anos a fio de trabalho e só lhe pediu que mantivesse com isso a alimentação e os medicamentos. Mas na primeira vez que ela foi até a favela onde morava o homem, desistiu da ajuda, pois aquele não era o seu “palco”. Tratou logo de ajustar uma vizinha do barraco, dando-lhe todo o dinheiro que Sinhá havia deixado, com a promessa de cuidar do pobre homem. Não é preciso dizer que rumo tomaram as economias da pobre negra; em pouco tempo, para evitar que ele morresse à míngua, a Assistência Social o internou em asilo público. Lá ele aguarda sua amada para buscá-lo, tirando-o do sofrimento do corpo físico. Nenhuma visita, nenhum cuidado especial. A madame se havia “esquecido” da promessa. Eu só fiz lembrá-la para que não tenha que voltar aqui com as duas pernas inválidas. A Lei só nos cobra o que é de direito, mas ela é infalível. Quanto mais atrasamos o pagamento de nossas dívidas, maiores elas ficam. Por isso, camboninho, negra velha sempre diz para os filhos que a caridade é moeda valiosa que todos possuímos, mas que poucos de nós usam. Se não acordamos sozinhos, na hora exata a vida liga o “desperta-dor” e, às vezes, acordamos assustados com a barulheira que ele faz… eh, eh, eh… Entendeu, meu menino?

– Sim, minha mãe. Lembrei que tenho de visitar meu avô que está no asilo…

Sorrindo e balançando a cabeça a bondosa preta velha falou com seus botões:

– Nega véia matô dois coelhos com uma cajadada só… eh, eh…

E, batendo o pé no chão, fumando seu pito e cantarolando, prosseguiu ela, socorrendo e curando até que, junto aos demais, voltou para as bandas de Aruanda.

Causos de Umbanda Volume 2 – Páginas 37 a 41 – Vovó Benta / Leni W. Saviscki

Curta: Sabedoria De Preto Velho
Siga no Instagram:@oficialsabedoriadepretovelho
Acesse Nosso Site:www.perolasdamacumba.com.br

feitiço verbal

Falar mal, fazer mau uso das palavras é um Feitiço Verbal

O enfeitiçamento pode efetivar-se pela força do pensamento, das palavras ou objetos imantados, que produzem danos a outras criaturas. O feitiço verbal resulta de palavras de crítica antifraterna, maledicência, calúnia, intriga e maldições. Seu autor é responsável perante a Lei do Carma e fica sujeito ao “choque de retorno” de sua bruxaria verbal, segundo a extensão do prejuízo que venha a resultar das palavras ou gestos desfavoráveis ao próximo.

Quando a criatura fala mal de alguém, essa vibração mental atrai e ativa igual cota dessa energia das demais pessoas que a escutam, aumentando seu feitiço verbal com nova carga malévola. Assim, cresce a responsabilidade do maledicente pelo caráter ofensivo de suas palavras, à medida que elas vão sendo divulgadas e apreciadas por outras mentes, atingindo então a vítima com um impacto mais vigoroso do que o de sua força original.

Evidentemente, a pessoa que fala mal de outrem só por leviandade, há de ser menos culpada espiritualmente de quem o faz por inveja, ódio ou vingança. No primeiro caso, as palavras não possuem a força molesta própria de uma deliberação malévola consciente. Porém, quem se concentra na ação deliberada de prejudicar alguém, elabora seu próprio infortúnio.

Ramatís.

Um espírita chegando no Umbral

Um homem de 55 anos, espírita, sofreu um acidente e morreu de repente. Ele se viu saindo do corpo e chegando a um lugar escuro, feio, tétrico, com energias muito negativas.
Assim que começou a caminhar por aquele vale sombrio, viu três espíritos vestidos com capa preta caminhando em sua direção. Assim que chegaram, o homem perguntou:
– Que lugar é esse?

– Aqui é o que vocês espíritas chamam de umbral – disse um dos espíritos. O homem ficou chocado com aquela informação. Mal podia acreditar que estava no umbral. Considerou que talvez estivesse ali para participar de alguma atividade socorrista aos espíritos sofredores. O espírito negativo, que lia seus pensamentos, respondeu que não. Ele estava ali porque o umbral era a zona cósmica que mais guardava sintonia com suas energias.
– Mas isso é impossível!!! – disse o espírita em desespero. – Não posso estar no Umbral. Deve haver algum erro… Em primeiro lugar eu sou espírita, faço parte dessa religião maravilhosa que é considerada o consolador prometido por Jesus. Realizo também projetos sociais de doação de sopa aos pobres. Ministro o passo magnético duas vezes por semana a uma multidão de pessoas lá no centro. Também ajudo financeiramente instituições de caridade muito necessitadas, além de dar palestras no centro para os iniciantes no Espiritismo. Definitivamente há algo errado…
Não há nenhum erro – disse o espírito das sombras – Em seu atual estágio de evolução, você tem que ficar aqui mesmo. É verdade que você é espírita e faz parte desta doutrina consoladora, mas intimamente você julgava pessoas de outras religiões inferiores por não serem espíritas. Sim, você realizava projetos sociais dando sopa aos pobres, mas em seus pensamentos sentia-se o máximo praticando a caridade e julgava que os pobres não eram tão evoluídos por estarem amargando a pobreza, quando na verdade muitos deles eram mais puros que você. Sim, você ministrava o passe, mas considerava que seu passe era mais “poderoso” e mais curador do que o passe de outros passistas. Sim, você ajudava financeiramente instituições de caridade, mas dentro de ti sempre dava o dinheiro esperando receber algo em troca e sentindo-se alguém muito “caridoso”. E finalmente… Sim, você dava palestras aos iniciantes na doutrina, mas acreditava ter mais conhecimento que eles e se colocava numa posição de destaque e vaidade intelectual. Tudo isso suscitando uma das maiores chagas da humanidade, o “orgulho” e a “vaidade”.
O homem ficou impressionado com as revelações daquele espírito. De fato, revendo suas atitudes e sua perspectiva, intimamente havia quase sempre um sentimento de superioridade, de orgulho em relação aos outros, diante de tudo o que foi feito.
O espírita então olhou para dentro de si e começou a se arrepender de tudo aquilo, reconhecendo seu erro e sentindo-se mais humilde. Nesse momento, ele sentiu uma luz brilhando dentro dele e começou a se elevar. Ao perceber que estava se elevando e deixando o umbral, avistou outros espíritos ainda presos à condição umbralina e novamente lhe veio um orgulho e uma sensação de superioridade em relação aos mesmos. Após sentir isso, caiu novamente no umbral, e a queda dessa vez foi ainda mais dolorosa. Um dos espíritos trevosos disse:
– Você caiu novamente porque, no momento em que se elevava, começou a sentir uma certa superioridade em relação aos espíritos que aqui estavam, suscitando mais uma vez uma condição de orgulho. Além disso, “A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido.” (Lucas 12:48).
O homem ficou muito triste com tudo aquilo. Entrou dentro de si mesmo e com toda a sinceridade pensou: Sim, é isso mesmo. Eu fui uma pessoa arrogante por ser espírita e por tudo o que eu fazia. Esse orgulho neutralizou todo o mérito de minhas ações. Mas tudo bem, eu mereço estar aqui no umbral. Vou ficar por aqui mesmo, quem sabe eu aprendo alguma coisa. Não me importo mais comigo e entrego minha vida a Deus… Como disse Jesus, “Que seja feita a vontade de Deus e não a minha”.
O homem caiu no chão e apenas se entregou a Deus com fé. Nesse momento, não tinha mais nenhum sentimento de auto-importância. Fechou os olhos e deixou tudo fluir…
Nesse momento, seu corpo começou a se tornar um corpo de luz e, sem nem perceber, começou a se elevar novamente. Assim que chegou a uma zona mais elevada, abriu os olhos e, para sua surpresa, havia se libertado do umbral. Dessa vez, nem percebeu que estava se elevando e se libertando.
Um dos espíritos trevosos estava esperando por ele nesse plano mais elevado. Tirou a capa preta e uma luz maravilhosa começou a brilhar. O espírita percebeu que esse espírito não era negativo, mas um espírito de luz que o estava ajudando desde o início. O espírito disse:
– Tua renúncia de ti mesmo no último momento te salvou do umbral. Que tudo isso sirva de lição para você, meu filho. Toda essa experiência que você passou serve para os membros de qualquer religião. E não se esqueça jamais do que disse Jesus:
“Não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita.” (Mateus 6:3)
Fonte: http://www.verdadeluz.com.br/

bater cabeca

Por que batemos a cabeça?

NA UMBANDA ainda há o costume de tocar a cabeça no solo em sinal de reverência. Este é um fato que tem múltiplos significados de altíssimo valor. Primeiramente, é um endereço vibratório para o plano metafísico, uma rememoração da origem e do destino da vida: a terra; é a lembrança de que os desejos vieram ao mundo antes da consciência (Ifá diz: os olhos vieram ao mundo antes da cabeça); por isso prestamos reverência e oferecemos nossa cabeça (nossa consciência) aos Espíritos Guias e aos Sagrados Orixás. Este meio pelo qual alcançaremos a redenção, no microcosmo do mediunismo de terreiro se fazendo um com os mentores, todos irradiados pelos Orixás se fazendo no macrocosmo um com o Pai.
Quem bate a cabeça está endereçando sua consciência a um plano superior em consonância com sua própria origem, oferecendo-se humildemente para que possa alcançar, ao menos nos breves momentos ritualísticos, a pureza do Espírito, se fazendo criança novamente.
Quem bate cabeça reverencia seus ancestrais e cuida para ter um destino fértil de coisas boas.

LIVRO ENCANTOS DE UMBANDA
http://www.livrariadotriangulo.com.br/

Pretos Velhos falam errado

Por que os Pretos Velhos falam errado?

Os espíritos que se apresentam na forma de preto velho são de uma sabedoria ímpar. Além de serem conhecedores das mazelas humanas, possuem o talento de estabelecer um diálogo profundo em diversos assuntos, bem como, também, falar em vários idiomas.
Como espíritos iluminados, em sua profunda humildade, rebaixam seu padrão vibratório para se fazerem percebidos e manifestados no médium e, assim, orientar as pessoas que chegam ao terreiro, em seus diferentes graus de compreensão e estudo. Para não se colocarem acima de qualquer um ou se sentirem mais inteligentes, esses espíritos se colocam abaixo dos consulentes, sentados no toco ou banquinho, utilizando de um linguajar tosco, pronunciando palavras erradas, e assim orientam e amparam sem julgamentos e com muita amorosidade o consulente sofrido que está sentado à sua frente. Deixam-nos seu exemplo de humildade e sabedoria conquistado ao longo de inúmeras encarnações, lembrando a si mesmos e a nós, encarnados, que é muito fácil a queda de um espírito.

DO LIVRO: ENSINAMENTOS BÁSICOS DE UMBANDA
VENDA PELO SITE: http://livrariadotriangulo.com.br/


COMENTÁRIO:

Como nos alerta sempre Vovó Maria Conga:
“…meu filho, que curva a cintura e olha pro chão não cai…”

Sabedoria de preto velho

Accessibility
Close
error: Content is protected !!

shop giày nữthời trang f5Responsive WordPress Themenha cap 4 nong thongiay cao gotgiay nu 2015mau biet thu deptoc dephouse beautifulgiay the thao nugiay luoi nutạp chí phụ nữhardware resourcesshop giày lườithời trang nam hàn quốcgiày hàn quốcgiày nam 2015shop giày onlineáo sơ mi hàn quốcshop thời trang nam nữdiễn đàn người tiêu dùngdiễn đàn thời tranggiày thể thao nữ hcm