Diferenças Básicas entre Umbanda e Quimbanda

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Eis uma pergunta constante, que ronda os terreiros e assistência.

Onde estou? Que tipo “de linha” é a sua? No quê trabalha? Trabalha com Êxú?
Mas aqui se faz Umbanda?

Isso não é tão fácil de explicar, haja visto as diferenças regionais nesse país,
sem falar que há terreiros que aproximam-se mais de um do que de outro.
Desse modo, há os terreiros “puros”, ditos de “Linha Branca” (chamados
assim porque os uniformes são brancos, não sendo feitos de outra cor).
Há terreiros intermediários ditos de “linha Branca”, mas que também
trabalham com Exus.

Há os terreiros de Candomblé de Angola que tem giras de boiadeiros, que
nada mais são do que Caboclos, “encantados”.

Outros, praticam a Quimbanda “pura”, onde não há acesso para Caboclos e
Pretos-Velhos.

Alguns fazem Quimbanda, destinando um dia ou poucos para a chegada de
Caboclos e Pretos-Velhos, como festas anuais, com alguma orientação
espiritual desses quaisquer.

Outros de Nação (Culto de Nação, Batuque), mas que tem seus dias de
Umbanda ou praticam a Quimbanda.

Nesses “meios-termos” é que surgem as questões, as dúvidas…
Para tentar dirimir tanta confusão, iremos começar inspirando-nos e
adaptando o trabalho de Norton F. Corrêa (recomendamos aqui sua leitura)
que soube, magnificamente, dividir os cultos em três classificações básicas.
Outrossim, deixamos claro aqui que eliminamos os conceitos e a terceira
classificação regional do Batuque Sulino, no intuito de tornar nosso trabalho
aceitável em todo o país:

1. A Umbanda “Pura”, dita “Linha Branca”, “Magia Branca”, “Linha de
Caboclo” ou “Caboclo”
– Seu crescimento deu-se no início do século passado (1908).
– Elementos de origem banto, predominantes.
– O médium incorpora várias entidades e tem consciência que está
“incorporado”
– As entidades incorporantes são os “Guias”, Caboclos, Pretos-Velhos
e Orixás (ditos “Orixás de Umbanda(1)” (“mais relacionados ao
Candomblé Baiano”, segundo Norton).
– O uniforme é branco, semelhante aos uniformes de enfermagem,
para diferenciá-los do Africanismo.
– Pontos cantados em português, salvo algumas inclusões de
palavras africanas.
– Inexistência de sacrifício animal.
– O médium poderá sair do culto, tomando o cuidado de fazer os
devidos “desligamentos” e pedido de permissão às entidades.
– As sessões iniciam-se no início da noite e não ultrapassam a meianoite.
– Não há “assentamentos” quaisquer para os Guias (Caboclos, Pretos-
Velhos, Crianças/Yori), apenas imagens imantadas por esses guias
em gesso ou outros materiais.
– Reúne elementos culturais africanos, indígenas, orientais, espíritas
(“kardecistas”), europeus (principalmente portugueses).
– Os sacerdotes são chamados de “irmão, “irmã”, “Cacique”. Nunca
babalorixás, yalorixás ou muito menos babalaôs.
– Os terreiros são fiscalizados por Federações.
– São usados bebidas alcoólicas e tabaco, em uso mínimo.
– O salão é dividido em dois ambientes distintos para assistência e
corrente de médiuns. Ambos nunca se misturam.
– A autoridade dos dirigentes é menos rigorosa que em outros
segmentos afro-descendentes. Aceitam questionamentos e
respondem a todo tipo de pergunta.
– As casas mais tradicionais não se utilizam de tambor, apenas de
cantos ou palmas para acompanhar o ritmo. O tamboreiro sempre
será médium da casa.
– Colares de contas, sementes ou outros materiais em cores
variáveis.
– Possui “corpo doutrinário estabelecido e expresso (embasado no
Kardecismo) com ampla bibliografia na qual se buscam também os
conhecimentos rituais”.
– As sessões públicas são semanais.
– Só pode fazer “o bem” sendo que no máximo, pede-se “justiça
espiritual”.
– Os trabalhos são feitos em materiais simples, baratos. Pratica-se
em síntese a caridade sempre que possível.

2. “Linha Cruzada”, “Esquerda”, “Quimbanda”, “Linha Negra” ou “Magia
Negativa”
– Segundo Norton Corrêa, seu crescimento deu-se a menos de
quarenta anos atrás, provavelmente. É uma modalidade nova.
– As cores dos vestuários são coloridas, vibrantes, uso do preto. Uso
de muitos adereços, jóias.
– As cores do templo geralmente são pintadas em cores escuras.
– Não há a presença do estudo da doutrina espírita.
– As sessões podem ser semanais ou em espaços maiores.
– Fala-se que a casa é comandada por Exus ou “Eguns”.
– Inclusão necessária do sacrifício animal.
– Os sacerdotes são chamados de “dirigentes”.
– Não há a presença dos guias que alicerçam a Umbanda, tais como
Caboclos ou Pretos-Velhos ou “vêm” raramente, ou ainda pouco
orientam as diretrizes da casa. Os uniformes costumam ser
coloridos para essas entidades.
– Bebidas e tabaco são usados em grande quantidade.
– Colares de contas onde se apresenta a cor preta em suas
missangas.
– O tamboreiro pode ou não ser médium da casa. É permitido a
entrada de leigos para o uso dos mesmos.
– O médium sabe que incorpora, à semelhança da Umbanda.
– As sessões ultrapassam a meia-noite podendo prosseguir
madrugada adentro.
– Festas anuais de grande porte.
– A desvinculação ao culto é bem mais complicada do que na
Umbanda.

3. Meio termo
– Faz-se o “bem” e o “mal” simultaneamente, de acordo com a
necessidade da assistência.
– Os trabalhos são onerosos, variando muito de preço.



                         Texto extraido do livro “Exu Desvendado”. Miriam Prestes


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