Umbanda tem entidades amazônicas entre seus guias espirituais

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Índia Neci e Dona Mariana são exemplos de entidades que viveram na Amazônia | Foto: Reprodução

Apesar de ter surgido no Rio de Janeiro, no século passado, a Umbanda, religião afro-brasileira, possui em suas práticas elementos singulares de cada região do país.

Antes de conhecer as influências amazônicas na crença, é preciso entender a sua origem, registrada mais especificamente no ano de 1908. Na época, um adolescente de 17 anos, chamado Zélio Fernandino de Moraes, morador de São Gonçalo, subúrbio do Rio de Janeiro, apresentava uma paralisia sem explicações, e quando os familiares o levaram a um centro espírita de Niterói, ele foi incorporado pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, que o instruiu a formar a nova religião.

Segundo estudiosos, a entidade afirmava ter sido o frei jesuíta Gabriel Malagrida em sua vida passada, um grande taumaturgo e humanista, queimado vivo em Portugal, acusado de prática de bruxaria pela Santa Inquisição da Igreja Católica. O caboclo dizia que posteriormente reencarnou em solo brasileiro como um indígena.

A palavra “umbanda” é originária da língua quimbunda, de Angola, na costa Oeste da África e significa “arte de curar”. As crenças da umbanda misturam fundamentos de crenças africanas, espiritismo kardecista e catolicismo. É uma religião monoteísta, ou seja, acredita-se em um único deus supremo, o Olorum. Entretanto, há também outras divindades, conhecidas como os orixás. Os mais cultuados são: Oxalá, Oxum, Oxóssi, Xangô, Ogum, Obaluaiê, Yemanjá e Yansã, dentre outros.

Todas as entidades são organizadas em linhas e falanges, com diferentes categorias: Caboclos, como os espíritos indígenas e boiadeiros; Pretos Velhos, espíritos de velhos escravos brasileiros; Exus, mensageiros dos orixás e que ‘dão’ caminho aos adeptos; Pombas Giras, identificadas como damas da noite e feiticeiras, são a versão feminina dos Exus; e Erês: espíritos das crianças.

Para cada falanges –  os grupos espirituais que trabalham para determinado orixá, há um coordenador, que está abaixo dos orixás. Por exemplo, o Exu Caveira é chefe de falange de um agrupamento que trabalha para o orixá Omolu e os seus missionários (falangeiros) irão incorporar na Terra, a mando e comando dele.

Entidades amazônicas

Segundo a mãe de santo Cleia, a Índia Neci é um exemplo de entidade nascida no território onde hoje é o Amazonas.

“A Índia Neci nasceu em terras amazonenses e em um certo dia, se perdeu e foi achado na tribo dos Guaranis, onde foi batizada. Ela também é bastante cultuada dentro da Umbanda”, conta.

Apesar de ser uma guia turca,  a Cabocla Mariana teria sido encantada na Amazônia. A linha dos encantados, assim como as demais, é formada por guias que já tiveram a experiência de viver neste mundo, com uma diferença: não sofreram o desencarne, e sim encantamentos.

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Pintura representando cabocla Mariana | Foto: Reprodução
Mariana é chamada carinhosamente como D.Mariana, mas sofreu o encantamento ainda jovem, por este motivo às vezes é rebelde, mas com a fineza da uma princesa que foi em vida. Linda de pele clara e olhos claros, Mariana encanta as pessoas presentes em sua gira, aconselha em casos amorosos e familiares, mas não faz nada contrário ao amor, explicou a ialorixá.

Ainda de acordo com a mãe de santo, há milhares de entidades, das quais muitas são amazônicas e cultuadas por diferentes centros de umbanda.

Preconceito religioso

Assim como outras religiões de matriz africana, a umbanda enfrenta um cenário de intolerância religiosa. Foram 152 casos em 2018, um aumento de 5,5% em relação a 2017, segundo informações do Disque 100 do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. Em comparação, as demais religiões, excluindo as de matriz africana, sofreram uma queda de 9,9% nas denúncias de discriminação no mesmo período.

Fonte: Em Tempo


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