Os Atabaques na Umbanda

Como sabemos, a Umbanda é uma Religião Brasileira, nascida em 15 de novembro de 1908, através da anunciação feita pelo Caboclo das 7 Encruzilhadas, através do médium Zélio Fernandino de Morais.

Nesse período, a Umbanda não possuía atabaques. Isso pode ser explicado por dois motivos.

O primeiro é um motivo histórico. Em 1908 a abolição da escravatura ainda era muito recente. Existia naquele tempo um preconceito muito maior acerca dos elementos africanos. Para se ter ideia, o simples toque do atabaque poderia motivar a prisão de uma pessoa. Por isso era razoável que a nova religião que ali se iniciava não fosse exposta à esse risco.

O segundo motivo era de ordem espiritual. O toque do atabaque poderia levar alguns médiuns ao animismo. O animismo é a manifestação do espírito do próprio médium, inconscientemente. Ou seja, o médium acredita que está sendo “controlado” por uma entidade, quando na verdade está sendo manifestado por ações de seu próprio espírito. Tal manifestação não ajuda em nada o desenvolvimento mediúnico. Por essa razão, no início da Umbanda não existia toques de atabaques, mas sim, cantos e batidas de palmas.

Com o passar do tempo, aos poucos, o atabaque foi sendo inserido na liturgia da Umbanda, mas com uma função diversa da do Candomblé. Como visto, nas nações, o toque do atabaque serviam para trazer os Orixás e para fazê-los dançar na roda. Na Umbanda, o toque do atabaque serve unica e exclusivamente para acompanhar os pontos cantados, que nada mais são do que uma oração cantada.

O objetivo do toque da Umbanda não é fazer os Orixás ou as entidades dançarem, mas sim, criar uma “psicoesfera” propícia para chegada dos irmãos de Aruanda, que vêm em auxílio dos necessitados. O toque do atabaque na Umbanda ajuda o médium a se concentrar, a se desligar das coisas do dia-a-dia, fazendo que entregue-se completamente a manifestação espiritual.

Todavia, o toque do atabaque deve ser feito com respeito, com amor e com responsabilidade. Tudo para evitar o animismo e a influencia dos espíritos pertubadores (Kiumbas). Na Umbanda os responsáveis pelo toque do atabaque e pelos cânticos são chamados de Ogans, Curimbeiros ou Atabaqueiros.


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