Na quadra da Gaviões da Fiel, a gira de Umbanda encontrou a bateria do Carnaval, celebrando Ogum, ancestralidade, trabalho, coragem e caminhos abertos para a coletividade
A quadra ficou cheia de energia, com o som dos atabaques dialogando com o surdo, e pessoas de diferentes trajetórias reunidas em torno da cultura e da fé.
O lançamento dos pilotos das fantasias protagonizou um encontro entre a religiosidade de terreiro e a potência do samba, colocando em evidência questões como liberdade religiosa, respeito e memória.
O evento também foi marcado por uma mensagem clara de valorização da ancestralidade negra e do trabalho coletivo, numa celebração que misturou festa e resistência.
conforme relato de Pai Denisson D’Angiles.
A noite e o encontro entre terreiro e escola de samba
Na apresentação, a presença da Curimba, dos atabaques e da tradicional bateria transformou a quadra em um espaço de diálogo cultural, onde o canto e o samba se responderam em ritmo e emoção.
Segundo o relato publicado por Pai Denisson D’Angiles, a experiência mostrou que Umbanda e Carnaval podem caminhar juntos, reforçando que a festa também é memória, resistência e trabalho comunitário.
Ogum como símbolo de coragem, trabalho e caminhos abertos
Para os presentes, Ogum foi lembrado como força que impulsiona a ação, a sabedoria para escolher direções e a determinação para transformar obstáculos em passagem.
O texto compartilhado pelo sacerdote afirma frases que traduzem esse chamado, entre elas, “Que Ogum abra os caminhos.”, “Que a fé nos dê força.”, e “Que a sabedoria nos dê direção.”, palavras que circulavam entre cânticos e aplausos.
Liberdade religiosa e combate ao racismo
O evento ganhou tom de reivindicação, com mensagens claras sobre a necessidade de respeito à diversidade de crenças e contra a intolerância religiosa.
Os organizadores e participantes destacaram a urgência de políticas e atitudes públicas que garantam que ninguém precise esconder sua fé, ancestralidade ou identidade para ser respeitado.
Resistência, gratidão e continuidade
Ao final da noite, houve agradecimentos à escola, à comunidade e aos filhos espirituais, e a sensação compartilhada foi de gratidão e esperança.
Como escreveu o anfitrião da gira, a intenção é que a celebração sirva de impulso para construir um mundo mais justo, plural e fraterno, lembrando que, quando os caminhos se abrem, não é apenas para alguns, é para que todos possam caminhar.



