Frei une catolicismo, umbanda e espiritismo em Teresina: “temos ajudado muita gente”

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Fotos:Roberta Aline/Cidadeverde.com

Há seis anos, em uma noite de sexta-feira, o Frei Waldemar, então morador do Convento de São Raimundo, localizado no bairro Piçarra, na zona Sul de Teresina, teve uma “revelação noturna”. Segundo o religioso, Jesus Cristo lhe conduziu até um terreno tomado por matagal no Povoado Tapuia, região rural Leste da capital, e disse que era lá o lugar onde ele tinha que desenvolver sua fé.

O Frei Waldemar deixou o ministério católico e resolveu atender ao pedido espiritual:  fundou o Centro Ecumênico Divino Consolador. “Foi muito lindo esse momento, maravilhoso e não tive mais dúvidas quando meu mestre revelou isso. Eu respondi que ia arregaçar as mangas e trabalhar”, conta. No dia seguinte da revelação, a proprietária do terreno no povoado Tapuia doou o pedaço de terra para o sacerdote.

Com problemas nas cordas vocais de tanto “pregar”, Frei Waldemar tinha 22 anos quando ingressou na Igreja Católica.  Após três décadas, a necessidade de desenvolver suas atividades mediúnicas e de ajudar pessoas fez com ele decidisse trabalhar a unidade entre o catolicismo, a umbanda sagrada e o espiritismo kardecista.

Mestre em Sagradas Escrituras na FAI São Paulo, o Frei Waldemar morou dois anos em Jerusalém-Israel. Lecionou por mais de uma década nos Seminários Maior de São Luís e de Teresina como professor de Sagradas Escrituras e no curso de Ciências das Religiões.

“Na Igreja Católica eu estava trabalhando, me doando, mas estava havendo uma perseguição ideológica por parte dos confrades que não estavam entendendo minha missão espiritual.  Passei 30 anos na Igreja Católica como religioso franciscano, na ordem fundada por São Francisco, e devido à minha visão espiritual, visão teológica, eu vi que dentro da Igreja Católica, na teologia católica, não contempla tudo que se refere ao mundo espiritual, deixa muito a desejar.  Então, eu tendo essa necessidade, preferi deixar o ministério católico, não abandonar a fé católica, mas dar uma visão mais aberta introduzindo o viés da doutrina espírita e também da doutrina umbandista, trabalhando esse tripé teológico: católico, espírita e umbandista em unidade, numa visão ecumênica e de diálogo inter-religioso”, explica.

Cuidando do espírito

Filho de Oxalá, que na Igreja Católica é Jesus Cristo, o Frei Waldemar conta que o trabalho em unidade com guias da umbanda, mentores espirituais e santos católicos, tem ajudado muitas pessoas. Idosos, adultos, crianças, jovens, políticos, candidato a governador. Pessoas de todo Piauí, Ceará, Maranhão e São Paulo. São muitos os pedidos de atendimento com o Frei, que afirma que não cobra nada pelas “consultas”, mas recebe doações voluntárias para prover as despesas da casa.

“Sou filho de Oxalá, Jesus é o nosso mestre. Em segundo lugar, sou filho da mãe Imaculada Conceição, a quem eu tenho uma profunda devoção, depois São Francisco e São Sebastião, que são meus padrinhos espirituais. Ogum rompe matas tem trabalhado muito ultimamente comigo e a gente tem ajudado muita gente. Aqui é um centro cristão ecumênico que  trabalha a unidade entre a doutrina católica, os santos católicos descem aqui para trabalhar como os guias da umbanda e como os guias da doutrina espírita kardecista. A gente trabalha essa unidade para melhor servir ao povo de Deus”, afirma.

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No Centro Ecumênico Divino Consolador o Frei Waldemar coordena as atividades de desenvolvimento mediúnico e ajuda espiritual.

O frei conta que a maioria das pessoas que busca atendimento no Centro Ecumênico Divino Consolador sofre com obsessões espirituais. Nas sextas-feiras e sábados são realizadas reuniões de cura, libertação e de desenvolvimento de médiuns.

“A demanda de gente necessitada é grande.  As maiores aflições são obsessões espirituais. As pessoas que têm o dom da mediunidade, mas não sabem trabalhar isso. Muitas vezes não sabem o que que é e terminam então adoecendo. Quando chegam aqui a gente começa a fazer o trabalho de desobsessão, vai retirando os espíritos, vai socorrendo e tudo isso é uma realidade muito grande. A pessoa vai se aliviando e fica bem. Já tratamos aqui várias pessoas”, disse. 

2021: ano da Esperança 

Frei Waldemar conta que São Francisco de Assis lhe revelou que 2020 seria um ano marcado por sofrimento. Mas, o sacerdote afirma que 2021 será o ano da esperança e que as coisas irão começar a melhorar a partir de maio.

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“São Francisco me mostrou cenas de muito sofrimento, mas não me mostrava a causa  desse sofrimento. Por outro lado o próprio evangelho do nosso senhor Jesus Cristo já previa tudo isso, sinais dos fins do tempo no sentido tempo para iniciar outro tempo, um novo ciclo. Essa limpeza  passa tanto pela energia dos humanos, mas também própria natureza. Tem saído caro para humanidade porque a própria humanidade causou desmatamento, poluição e a consequência é tudo isso. Para 2021 sinaliza esperança de nova realidade e tempos novos, tempos melhores. Acredito que de maio em diante que as coisas vão começar a melhorar e a gente vai poder visualizar melhor esse novo tempo, novo ciclo que está acontecendo”, afirma.

Sobre a expectativa da vacina contra o coronavírus, o Frei ressalta que, conforme as pessoas forem se vacinando, elas sentirão mais segurança para poderem trabalhar, para poderem estar mais juntos, sorrir, brincar e se abraçar.

“Somos afetivos e precisamos disse,e ai vem a autoestima das pessoas que com certeza irá melhorar. O comércio, indústria, vai abrir mais as portas para postular mais emprego, tem muita gente desempregada, muita gente chorando”, analisa.

Novo templo
Com ajuda de doações, o Frei Waldemar está construindo um templo dentro do Centro Ecumênico Divino Consolador. No novo espaço terá salas de cura, de reunião e para atendimentos personalizados. A expectativa é que a obra termine neste próximo ano.

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Izabella Pimentel
[email protected]

Fotos:Roberta Aline/Cidadeverde.com

Cidade Verde


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