Projeto em tramitação quer valorizar jovens de terreiro, fortalecer pertencimento e enfrentar a intolerância religiosa.
A Câmara de Vereadores de Caxias do Sul discutiu, em 13 de outubro de 2026, o PL 278/2026, que propõe instituir o Dia Municipal do Jovem Afro-Umbandista. A iniciativa ainda precisa passar por segunda discussão e votação, e nasce com foco no reconhecimento da juventude nas comunidades de terreiro, no incentivo ao protagonismo juvenil e no combate à intolerância religiosa.
O que propõe o projeto
Segundo a notícia publicada pela Câmara de Caxias do Sul, o PL 278/2026 quer criar o Dia Municipal do Jovem Afro-Umbandista, a ser celebrado em 15 de novembro, em referência ao Dia da Umbanda. O texto ainda não está concluído no processo legislativo: ele deve voltar à pauta para segunda discussão e votação.
A proposta aparece vinculada a uma pauta de reconhecimento público da juventude ligada às tradições de terreiro. O autor do projeto sustenta que a medida busca valorizar os jovens como parte ativa das comunidades afro-umbandistas, além de ampliar a visibilidade dessa presença no calendário municipal.
Juventude, pertencimento e transmissão de saberes
Entre os objetivos destacados pela tramitação, está o fortalecimento da identidade e do pertencimento religioso e cultural. O projeto também menciona a valorização da ancestralidade e do conhecimento transmitido pelos mais velhos, um ponto importante em tradições em que a convivência entre gerações organiza a continuidade de práticas, memórias e responsabilidades comunitárias.
Na formulação apresentada pela Câmara, o dia municipal serviria para reconhecer a importância dos jovens nas comunidades de terreiro e incentivar o protagonismo juvenil. Em termos práticos, isso coloca a juventude não apenas como público de celebração, mas como sujeito de participação, aprendizado e continuidade institucional e religiosa.
Ações públicas e enfrentamento à intolerância
O texto divulgado informa que a proposta também tem como foco combater intolerância e discriminação religiosa. Esse aspecto dialoga com uma realidade conhecida por praticantes e lideranças de religiões afro-brasileiras, que frequentemente reivindicam proteção institucional e respeito à liberdade de crença.
Para isso, o projeto prevê ações como encontros, fóruns, seminários, palestras e rodas de conversa. A participação de comunidades tradicionais de terreiro, escolas e entidades culturais é citada como parte da estratégia para ampliar o debate público e aproximar a temática da juventude afro-umbandista de espaços educativos e comunitários.
Um marco local com alcance simbólico
Embora a proposta tenha alcance municipal, o debate que ela abre é mais amplo: como o poder público pode reconhecer juventudes religiosas sem reduzir suas tradições a folclore ou estereótipo. No caso da Umbanda, a criação de uma data dedicada a jovens afro-umbandistas pode funcionar como instrumento de visibilidade, memória e afirmação de pertencimento.
Como o projeto ainda depende de nova votação, o desfecho legislativo permanece em aberto. Ainda assim, a tramitação já coloca em evidência uma pauta relevante para terreiros, educadores e agentes culturais: a presença dos jovens como continuidade viva das tradições afro-umbandistas e como parte do enfrentamento à intolerância religiosa.

