Branco no Réveillon: por que ainda usamos e o que simboliza?

A cor branca seria um sinal de paz e prosperidade

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Rio de Janeiro - 16 minutos de fogos de artifício na Praia de Copacabana durante o reveillon do Rio de Janeiro (Alexandre Macieira/Riotur)

Todos os anos milhares de pessoas passam a virada de ano – da noite do dia 31 de dezembro para o dia 1º de janeiro – vestidas se não inteiramente, mas em sua maior parte com peças de roupas brancas. Essa tradição faz parte das comemorações de ano-novo do brasileiro, assim como pular sete ondas, “estourar” um champanhe ou comer lentinha no jantar.

A primeira curiosidade a respeito de usar branco no réveillon é que esse é um hábito que existe apenas no Brasil. Não é um costume universal, que acontece em todos os lugares do mundo como muitos brasileiros imaginam. 

Como surgiu a tradição de usar branco no réveillon?

A tradição brasileira tem origem em religiões de matriz africana, como a Umbanda e o Candomblé. Essas religiões cultuam Iemanjá, que é a divindidade dos oceanos, também chamada de rainha do mar e padroeira dos pescadores.

Uma das práticas do Candomblé é o envio de pedidos à Iemanjá, também chamados de oferendas. Esse ritual é sempre feito com a pessoa que faz a oferta vestida de branco. Quem deseja pedir alguma coisa deve também oferecer algo à divindade e para isso são enviados pequenos barcos, cheios de objetos como bijuterias, perfumes, sabonetes, espelhos e até mesmo flores e comida para o mar. Iemanjá também é cultuada com hortências ou rosas brancas, e sua fruta é a melancia.

De acordo com a tradição, se a oferenda voltar para a praia o pedido foi negado, mas se entrar mar adentro Iemanjá deve realizá-lo.

A oferenda à Iemanjá é feita em diferentes datas dependendo da tradição local. Na Bahia acontece no dia 2 de fevereiro. No Rio de Janeiro, ela é feita no réveillon, e de acordo com a BBC, seria esse o motivo de a tradição de usar branco no dia 31 de dezembro existir. O hábito teria começado a se espalhar na praia de Copacabana na década de 1970, pois membros do Candomblé faziam suas oferendas vestidos de branco, e os cariocas, mesmo os que não faziam parte da religião, passaram a incorporar o hábito de roupas brancas no dia de ano-novo por acharem bonitas as vestimentas do ritual.

O costume se espalhou pelo país e todos os anos no réveillon as praias brasileiras ficam lotadas de pessoas vestidas de branco, com um champanhe para estourar e curiosas para ver a queima de fogos de artifício que inicia sempre à meia-noite.

Devido à causa de preservação do meio ambiente, hoje recomenda-se que as oferendas enviadas ao mar para Iemanjá sejam de material biodegradável, como flores e frutas, e que não seja utilizado plástico na confecção do barquinho.

Por que se usa branco no réveillon?

Hoje esse hábito é difundido em todo o Brasil, e também foi ressignificado. A maioria das pessoas não usa branco no réveillon por fazer parte do Candomblé ou Umbanda, e sim por acreditar que a cor pode trazer paz, prosperidade e boas energias para o ano que está por vir. 

Além do branco, outras cores também foram incorporadas nesse simbolismo, como o vermelho, que é usado na esperança de atrair o amor, o amarelo que representa o dinheiro e o verde para atrair saúde.

O uso de roupas brancas no réveillon não é a única tradição herdada pelos brasileiros das religiões de matriz africana. O hábito de pular sete ondas nesse dia também tem origem na Umbanda. Para essa religião, pular sete ondas é uma homenagem à Iemanjá, e a cada pulo pode ser feito um pedido ou uma oração para um dos orixás da Umbanda.

Hoje muitos brasileiros realizam o ritual sem saber que ele é ligado à uma religião, com o objetivo de ter sorte para o novo ano.

Iemanjá na religião católica

No catolicismo, a orixá Iemanjá corresponde a santa conhecida por Nossa Senhora dos Navegantes, que é um título de Maria, mãe de Jesus. A santa surgiu no século XV, com as navegações europeias. Na época, as preces eram para que não houvessem naufrágios.

Quando os africanos escravizados vieram ao Brasil, eram impedidos de praticar as religiões de matriz africana. Isso fez com que comemorassem os dias de orixás, santos de suas religiões, no mesmo dia que os santos cristãos. Por conta disso o dia de Iemanjá e o dia de Nossa Senhora dos Navegantes no Brasil é o mesmo, dia 2 de fevereiro.

Fonte: NSC


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