Pontos de Malandros

Pontos de Malandros

Pontos de Malandros

1- ZÉ PILINTRA

Oh Zé quem você é

Oh Zé quem você é

Eu venho de Alagoas

Venho com samba no pé

Eu gosto de uma risada

Eu conquisto uma mulher

Zé Pilintra eu me chamo

E trago o meu axé

Você pensa que eu te engano

Só se engana quem quiser

Oh Zé quem você é

Oh Zé quem você é

Tenho meu chapéu de palha

Tenho um baralho no bolso

To terno ou de gravata

Às vezes me chamam de moço

Ando pela vida a fora

Sem rumo sem direção

Sei que minha trajetória

É só seguir meu coração

Oh Zé quem você é

Oh Zé quem você é

Gosto de tocar viola

Boêmio da madrugada

Se me meto numa briga

Te ganho com minha lábia

Muitos me chamam de Zé

De malandro e de doutor

Me chame como quiser

Zé Pilintra eu sei que eu sou

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Zé Pelintra e a Capoeira

Não é segredo pra ninguém que boa parte da cultura brasileira descende da mãe África. Observamos na religiosidade, na música, na comida, nos costumes, etc…, uma forte influência daqueles que vieram ao Brasil como escravos e acabaram por se misturar aos outros habitantes, nativos ou não, para formar o povo que hoje chamamos de brasileiro.
Por isso, podemos dizer que a capoeira, o samba, o maracatu, a capoeira, a umbanda e o candomblé, o frevo e tantas outras manifestações culturais são fruto dessa mistura, algumas mais influenciadas pelo lado indígena, outras pelo lado europeu, a maioria delas pelo lado africano. A miscigenação criou uma cultura mestiça.
Na Umbanda, por exemplo, encontramos Zé Pelintra que é um forte exemplo dessa mestiçagem: o malandro, negro de terno branco e punhal de aço puro, mestre do Catimbó (um culto nordestino de origem indígena), sambista e capoeirista. É um fiel representante de uma cultura africana resistente e sobrevivente em solo brasileiro. Nordestino ou carioca, praticante do Catimbó, da Umbanda ou do Candomblé, anda sempre com suas guias dedicadas a seu Orixá no pescoço – diz-se em um de seus mais famosos pontos da Umbanda e Catimbó, que “foi criado por Ogum Beira-Mar, em nome de Deus e de todos Orixás”. Na aba de seu chapéu, encontramos ainda uma pena vermelha, uma homenagem ao Orixá mensageiro Exu.

Mestre Leopoldina: o mestre era um grande devoto de Seu Zé
Mestre Leopoldina: o mestre era um grande devoto de Seu Zé

Seu Zé, como é carinhosamente chamado por seus admiradores, é também um conquistador nato. Conhecedor da noite e dos perigos da vida, anda sempre com seu lenço no pescoço e sua navalha alemã no bolso.

Não é preciso ser capoeirista para saber que muito dessa personalidade de Seu Zé, está ligada também à personalidade histórica do capoeirista. Se retornarmos para um segundo momento na história da capoeira, pós-abolição, vamos encontrar entre os praticantes da arte justamente os malandros, que, sendo exímios capoeiristas, sabiam como escapar de qualquer perigo e estavam sempre atentos ao caminhar pelas ruas. Os capoeiristas também sempre foram “conquistadores natos” do mulherio.
Ainda que afirmar isso nos idas de hoje seja tão polêmico, era no passado também muito natural que os praticantes da capoeira fossem praticantes de alguma religião afrobrasileira, uma vez que essas religiões estão fortemente ligadas ao universo de onde eles e a própria capoeira vieram. Mais do que uma simples prática, a religiosidade do povo africano não é apenas vivida no espaço de um terreiro ou um templo, é algo levado para o dia a dia, não é só uma religião, mas também uma forma de viver e de ver o mundo. E se hoje o preconceito é grande, imagine então naquela época…

 

Um pouco mais a frente na história, encontramos entre os angoleiros figuras tão malandras quanto Seu Zé, principalmente na capoeira Angola, onde os malandros chegavam em seus ternos impecáveis, chapéu de lado, e jogavam sem que uma mancha de poeira sequer maculasse o branco de suas roupas.

 

Vários pontos do malandro Zé Pelintra tratam de sua relação com a capoeira, como esse:

 

“moça não tenha medo do seu marido
se ele é bom na faca, eu sou no facão
se ele é bom na reza, eu na oração
se ele bate em cima, eu vou na rasteira
sou da capoeira”

 

Tais pontos – ponto é como se chama uma cantiga na Umbanda – falam do mundo de Seu Zé, um mundo cheio de perigos, mas também cheio de diversão. Tal qual a capoeira: numa roda um capoeirista pode se divertir, mas sabe dos perigos que enfrentará. E é aquele que melhor usar a malandragem que conseguirá se sair melhor na roda, escapando das rasteiras e das investidas “na maldade”, como se diz na capoeira, dos outros jogadores.

A tão famosa “mandinga”, uma energia quase palpável na capoeira, que todo capoeirista já sentiu, é uma energia herdada dessa época em que era preciso mais do que esperteza e habilidade no jogo, mas também – opinião própria – uma proteção espiritual para o capoeira. Negro, pobre de recursos materiais, mas rico de recursos culturais, e discriminado, perseguido pela polícia, pelo preconceito, por outros capoeiristas… A mandinga é uma energia que vem da época em que o negro escravo precisava fugir da senzala e lutar pela liberdade e para isso contava com um auxílio divino. Então, por mais incrível que pudesse parecer, o escravo e o malandro conseguiam escapar das mais inacreditáveis situações…

Este é um assunto bastante complexo e espero voltar a tratar dele em breve. Para finalizar, por hoje, digo que a mandinga e a malandragem sempre serão pilares básicos nos fundamentos da capoeira. Espero que tenham bom senso e leiam este texto livres de preconceitos e mesquinharias… Axé!

(Soldado Capoeira)

Continua…

 

Bibliografia -pra quem se interessar indico estes livros:

 

Malandro Divino – a vida e a lenda de Zé Pelintra, personagem mítico da Lapa carioca, de Zeca Ligiero

 

Os fiéis da navalha, de Adriana Albert

http://ahoradacapoeira.blogspot.com.br/2010/08/ze-pelintra-e-capoeira.html

Palavras de Zé Pilintra

zé pelintra

Muitos me chamam de malandro, aproveitador, enganador até de exu sou chamado! Éééé!!! Os encarnados gostam de colocar muitas palavras na “boca dos mortos” o que nem sempre traduz aquilo que nós deste lado de cá da vida realmente somos.

Mas como nossa Umbanda já passou de seus 100 anos, resolvi agora dar a minha palavra para “fechar” um pouco a boca daqueles que muito falam da Umbanda e suas entidades, mas infelizmente nada sabem da mesma e muito pouco de nós.

Quando falamos de “malandros”, logo lembramos daquele que leva vantagem em tudo na vida, enganando, mentindo e se aproveitando da boa vontade dos que são conhecidos como mais fracos o que eu José Pelintra diria “menos informados e preparados em sua fé”!

Para quem tem uma mente doentia este seria o melhor adjetivo para os malandros, mas nas próximas linhas “camarada” vou lhe mostrar o “outro lado da moeda”.

Um verdadeiro malandro sabe:

Driblar os obstáculos que a vida lhe impõe com um sorriso e confiança em Deus, pois se tudo na vida tem começo e fim inclui aí também a nossa passagem neste mundo, suas dores não são eternas. Sorrir quando tudo é alegria é fácil, ele já nasce na face, mas sorrir e ter fé quando as coisas andam meio “de lado” é só para quem tem ginga.

Malandragem não é se julgar coitado esquecido de Deus e dos Orixás, é mexer-se, fazer a diferença, ir a luta. Tombo meninada foi feito para se levantar e continuar adiante e ficar esperto onde “se coloca o pé”, pois tem muito “malandro pisando em cova” em trocadilhos, “tem muita gente escolhendo um caminho mais doloroso para seguir” e consciente.

Malandragem é saber seu limite, onde se deve parar e não querer mostrar para os outros o que não é e o que não se tem. Deus minha gente criou todos iguais, com as mesmas possibilidades. Na vida não tem “jeitinho”, tem é atitude de buscar melhorar-se cada vez mais de aprender a viver e ganhar maturidade. “Só ensina quem já aprendeu e não quem ainda esta na primeira série”

Muitos me criticam pelas minhas vestes brancas e trazem seu coração escuro pelo preconceito vacilo de quem se julga superior a todos e segue uma verdade que nem ele mesmo conhece.

Muitos falam de meu punhal, mas cortam e ferem seu semelhante com suas palavras todos os dias dentro e fora de seus lares e o meu punhal “malandro” só corta demanda.

Na minha imagem “figura” o branco simboliza como dever ser nosso interior, ou seja, LIMPO!

Minhas mãos juntas simbolizam a fé que de Aruanda infelizmente vemos poucos “aqui em baixo” praticá-la em qualquer credo.

O livro em meus pés significa que para crescer é preciso conhecer-se a si próprio.

O vermelho de meus adereços simboliza a vitalidade a alegria que todo bom “malandro” deve ter para encarar os problemas que ele mesmo cria em sua vida.

Muitos falam, poucos conhecem! Muitos julgam poucos compreendem! E assim caminha a nossa Umbanda esclarecendo e lutando para com muita “malandragem” e muita ginga ganhar seu espaço.

Santa figura ninguém é, então que cada um reflita antes de julgar…

 

“Sou santo ou demônio?

Justo ou pecador?

Tira isso da cabeça meu menino!

Sou ZÉ PELINTRA

Malandro da luz e sirvo a nosso Senhor”

…Seu Zé Pelintra quando vem

Ele traz a sua magia

Para salvar todos seus filhos e retirar feitiçaria…

Reza do Zé Pelintra

Na Fé de Oxalá que me guia
Na Espada de Ogum que me guarda
Eu tenho na Virgem Maria
A Candeia da Paz que me salva.
Nada temo no caminho
Trago a certeza na alma
Da rosa não temo o espinho
Só colho a fragrância que acalma.

Nos companheiros de lida
Sinto a Presença Divina
A nos lembrar que na vida
A terra do céu é vizinha.
Somos irmãos e camaradas
Pulsando num só coração
Ao encontro da alvorada
Das Luzes da Compaixão.

Vamos lavar nossas dores
Nas águas da Mãe da Candeia
E entregar nossos temores
À Espada da Lei que norteia.
E se a dúvida vier
Atacar o coração
Busquemos a Luz da Fé
Que nos dá sustentação.

Por Oxalá e Ifá
Por Pai Ogum, meu Senhor
Pela Candeia Sagrada
Da Mãe Divina do Amor
Peço na minha reza
Pra descruzar e cortar
Toda doença guardada
Todo malfeito e tristeza
Do peito do sofredor.

Que o Nome do Onipotente
Liberte o penitente
De qualquer amarração
Trazendo pra sua vida
Saúde, paz, superação.
Que a Pura Luz do Cordeiro
Que a todo mal suplanta
Dissolva nas Águas Santas
Todo embaraço traiçoeiro.

Que haja Vida renovada
Em cada coração
Que reine o triunfo da Luz
Pelo bálsamo do Perdão.
Que o Mestre da Santa Cruz
Que aqui veio nos libertar
Enfim nos traga a alvorada
Da Bandeira Sagrada
Do Reino do Pai Oxalá!
Que assim seja, e assim será!