A projeção astral é um tema que desperta curiosidade, dúvidas e, muitas vezes, medo. Dentro da Umbanda e das religiões de matriz africana, esse fenômeno não é tratado como algo sobrenatural ou perigoso, mas como um estado natural da consciência espiritual, que pode ocorrer de forma espontânea ou induzida, conforme o grau de sensibilidade e equilíbrio do indivíduo.
De forma simples, projeção astral é a experiência em que o espírito se afasta temporariamente do corpo físico, mantendo a consciência ativa, enquanto o corpo permanece em repouso. Esse afastamento acontece através do corpo espiritual, também chamado de perispírito, que continua ligado ao corpo físico por um vínculo energético.
O espírito nunca abandona o corpo definitivamente
Na visão umbandista, é importante esclarecer: ninguém “fica fora do corpo” sem proteção. Existe um elo natural que mantém o espírito ligado ao corpo físico, garantindo o retorno ao despertar. Esse vínculo é conhecido popularmente como “laço” ou “fio energético”, responsável por preservar a integridade espiritual durante a experiência.
Durante o sono comum, todos os espíritos se afastam parcialmente do corpo. A diferença da projeção astral está na manutenção da lucidez, ou seja, a pessoa percebe, lembra e vivencia conscientemente esse deslocamento.
Projeção astral não é mediunidade
Embora estejam ligadas ao campo espiritual, projeção astral e mediunidade não são a mesma coisa.
A mediunidade envolve a comunicação entre planos, geralmente com a atuação de guias espirituais.
A projeção astral envolve a própria consciência do indivíduo transitando no plano espiritual.
Na Umbanda, entende-se que médiuns equilibrados e bem orientados podem ter projeções naturais, principalmente durante o desenvolvimento espiritual, mas isso não é regra nem obrigação.
Onde o espírito vai durante a projeção
Durante a projeção astral, o espírito pode acessar diferentes faixas vibratórias do plano espiritual, de acordo com seu estado emocional, mental e espiritual. Pensamentos elevados conduzem a ambientes mais harmonizados. Pensamentos densos atraem experiências igualmente densas.
Por isso, os guias espirituais ensinam que equilíbrio emocional, ética espiritual e proteção são fundamentais. Não é o ato de sair do corpo que define a experiência, mas a vibração com que se sai.
É perigoso?
Dentro da Umbanda, a projeção astral não é considerada perigosa em si, mas exige respeito. Forçar experiências, buscar curiosidade vazia ou tentar “provar” algo pode gerar desequilíbrio emocional e energético.
Os Pretos-Velhos ensinam que tudo tem tempo certo. Se a projeção acontece espontaneamente, ela costuma cumprir um propósito de aprendizado, amparo espiritual ou reorganização interna. Se não acontece, não há perda espiritual alguma.
Projeção astral e proteção espiritual
Um ponto central na visão umbandista é que ninguém projeta sem proteção espiritual quando está sob amparo dos guias. Espíritos obsessores não “puxam” pessoas para fora do corpo, como muitos mitos sugerem. O medo, sim, pode gerar sensações desconfortáveis, mas isso está ligado ao estado emocional da pessoa, não à ação espiritual direta.
Por isso, a Umbanda sempre orienta:
– firmeza espiritual
– equilíbrio emocional
– respeito ao próprio limite
– confiança nos guias
Sem isso, qualquer prática espiritual perde o sentido.
Nem todo chamado é para vivenciar
A Umbanda ensina que evolução espiritual não está ligada a fenômenos, mas a conduta, consciência e caridade. Projeção astral não torna ninguém mais evoluído, nem mais protegido, nem mais iluminado.
Ela é apenas uma das muitas experiências possíveis da consciência espiritual.
O verdadeiro crescimento está em viver bem no plano material, cuidar das emoções, respeitar o sagrado e caminhar com humildade.
Espiritualidade não é espetáculo
Dentro da Umbanda, a projeção astral é compreendida com simplicidade: acontece quando precisa acontecer, ensina quando há aprendizado envolvido e se encerra quando cumpre sua função.
O espiritual não se impõe, não força, não impressiona.
Ele orienta, sustenta e protege.
Axé.
