Um marco ligado à mediunidade, à atuação do Caboclo das Sete Encruzilhadas e ao surgimento de uma casa religiosa em Niterói

A fundação da Umbanda é tradicionalmente situada em 1908, no município de Niterói, no estado do Rio de Janeiro. A narrativa está ligada ao jovem Zélio Fernandino de Moraes e a uma manifestação mediúnica.

Segundo esse relato, durante uma sessão espírita, Zélio teria dado voz ao Espírito do Caboclo das Sete Encruzilhadas. A entidade anunciou uma forma de trabalho religioso aberta a diferentes espíritos e pessoas.

As informações fornecidas para esta reportagem apresentam esse episódio como marco histórico, mas não incluem documentos ou referências bibliográficas independentes. A seguir, entenda os elementos centrais da narrativa e seu contexto.

O episódio de 1908

Na versão tradicional, o acontecimento ocorreu em 15 de novembro de 1908, durante uma reunião espírita em Niterói. Zélio, então adolescente, teria manifestado comportamentos que os participantes associaram à presença de um espírito.

O relato identifica essa presença como o Caboclo das Sete Encruzilhadas. A entidade teria defendido que os espíritos de indígenas e pessoas negras também poderiam se manifestar e prestar auxílio espiritual.

Essa ideia é central para a memória da fundação da Umbanda. Ela ajuda a explicar a importância atribuída à presença de diferentes entidades e tradições no desenvolvimento da religião.

A Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade

O relato associa a criação da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade ao início dos trabalhos conduzidos por Zélio. A casa é apresentada como um espaço de atendimento e prática religiosa ligado ao episódio de 1908.

O nome da tenda tornou-se parte da história contada sobre a formação da Umbanda. A narrativa destaca a organização de reuniões e atividades espirituais, embora os dados recebidos não detalhem datas posteriores ou regras da instituição.

Mediunidade e preconceito inicial

A mediunidade ocupa lugar decisivo nessa história: é por meio dela que, segundo a tradição, o Caboclo das Sete Encruzilhadas se comunicou com os participantes. O episódio também situa a prática em um ambiente de sessões espíritas.

O preconceito inicial contra manifestações associadas a indígenas e pessoas negras aparece como parte do contexto lembrado por essa narrativa. A proposta atribuída à entidade contrariava a rejeição desses espíritos em certos espaços religiosos.

Por isso, a fundação da Umbanda é frequentemente contada não apenas como a abertura de uma casa, mas como a afirmação de uma prática que acolhia entidades diversas. Essa leitura deve ser entendida como parte da memória histórica da religião.

Um marco na memória da religião

A data de 1908 permanece associada ao início da Umbanda, sobretudo por meio da trajetória de Zélio e da Tenda Nossa Senhora da Piedade. A tradição oral e religiosa dá destaque ao encontro entre mediunidade, organização dos trabalhos e acolhimento espiritual.

Como não foram fornecidas fontes documentais adicionais, detalhes específicos do episódio devem ser apresentados como elementos do relato tradicional, e não como fatos confirmados por documentação nesta reportagem. Ainda assim, a história segue central para a identidade de muitos umbandistas.