Entenda por que a data aparece em calendários de terreiros, como afeto, doçura ritual e proteção se conectam às celebrações.
No 12 de outubro, algumas casas de Umbanda reúnem referências diferentes em torno do mesmo dia: em certos calendários, a data aparece como Dia de Oxum; em outros, como momento de celebrar as Crianças e os Erês. A pauta ajuda a entender como o calendário umbandista varia entre terreiros, preservando sentidos de afeto, doçura, cuidado e proteção sem reduzir a vivência religiosa a uma simples festa infantil.
12 de outubro em calendários umbandistas
A pesquisa mostra que não existe um único calendário litúrgico da Umbanda válido para todas as casas. Entre as fontes verificadas, o Templo de Umbanda Hermética registra 12 de outubro como Dia de Oxum em sua lista de datas comemorativas litúrgicas, enquanto o Terreiro Pai Jacó associa outubro ao Dia de Nossa Senhora Aparecida e ao Dia das Crianças, observando que há casas que festejam a data com gira de Erês.
Isso confirma uma característica importante da religião: datas festivas podem ganhar ênfases diferentes conforme a tradição da casa, a linhagem do terreiro e o modo como cada comunidade organiza sua vida ritual. Por isso, ao falar de 12 de outubro na Umbanda, o mais preciso é tratar o tema como calendário de devoção e vivência comunitária, e não como uma regra uniforme para todos os terreiros.
Erês, Crianças e a dimensão do festejo
Na literatura acadêmica consultada, a gira de Crianças aparece descrita como mais ligada a datas festivas do que à rotina regular dos trabalhos. Isso ajuda a explicar por que o 12 de outubro costuma surgir como ocasião de celebração, em especial quando a casa organiza atividades voltadas às Crianças ou aos Erês, entidades associadas à leveza, à brincadeira e à doçura ritual.
Os estudos também apontam que as Ibejadas/Erês são vinculadas a referências de praia, cachoeira, mata e pedreira, mostrando que a imagem da infância na Umbanda não se limita ao universo infantil em sentido cotidiano. Ela se conecta a paisagens simbólicas e a modos próprios de expressão espiritual, que variam de acordo com a casa e sua leitura do sagrado.
Por isso, quando o 12 de outubro é celebrado com gira de Erês, a ênfase não está apenas em doces, brinquedos ou alegria. O gesto ritual também comunica proteção, acolhimento e uma forma específica de circulação da energia da infância sagrada dentro do terreiro.
Oxum, doçura e proteção na leitura de algumas casas
Entre as fontes verificadas, Oxum aparece no calendário litúrgico do Templo de Umbanda Hermética como tema do 12 de outubro. A fonte consultada não permite generalizar essa associação para toda a Umbanda, mas mostra que algumas casas organizam a data em torno dessa orixá, reforçando sentidos ligados à doçura, ao cuidado e à proteção.
É importante lembrar que Orixás e entidades não são a mesma coisa. Oxum é uma força sagrada cultuada na Umbanda, enquanto os Erês são entendidos como entidades ou linhas de trabalho associadas à infância espiritual. O fato de algumas casas aproximarem Oxum, Crianças e Erês em uma mesma data revela um repertório simbólico compartilhado, mas não uma equivalência doutrinária simples.
Na prática, isso ajuda a compreender por que o 12 de outubro pode reunir diferentes camadas de sentido: devoção a uma força sagrada, celebração das Crianças, presença dos Erês e clima de afeto coletivo. Cada terreiro decide como articula esses elementos dentro de seus fundamentos.
Calendário, sincretismo e experiência de terreiro
Outra fonte consultada observa que, em outubro, há casas que relacionam o dia ao feriado de Nossa Senhora Aparecida e ao Dia das Crianças, mostrando como o calendário religioso e o calendário civil podem se cruzar em ambientes umbandistas. A pesquisa também destaca o papel do sincretismo e da oferta de doces e brincadeiras, sem reduzir a celebração a uma encenação infantil.
Esse ponto é relevante para leitores iniciantes: na Umbanda, a data comemorativa não funciona apenas como marca no calendário. Ela é também uma experiência de terreiro, moldada por escolhas da comunidade, por referências regionais e pela forma como cada casa organiza sua liturgia. O que em um terreiro é Dia de Oxum, em outro pode ser gira de Erês, e em outro ainda uma celebração mais ampla das Crianças.
Assim, o 12 de outubro pode ser lido como um calendário de afeto. Em vez de buscar uma fórmula única, vale observar a pluralidade das práticas e respeitar os fundamentos de cada casa. A data mostra como a Umbanda traduz devoção em cuidado, memória comunitária e linguagem ritual acessível às famílias e aos frequentadores do terreiro.
Fontes consultadas
- Brasil – Comida de Criança: doces (e) ibejadas da umbanda Comida de Criança: doces (e) ibejadas da umbanda
- Datas Comemorativas Liturgicas | TEMPLO DE UMBANDA HERMÉTICA
- Terreiro Pai Jacó – Pagina principal
- DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1984-04382025e450105
- APRENDIZADOS NA UMBANDA: SABERES MULTICULTURAIS E SOCIABILIDADES RELIGIOSAS DO “SER CRIANÇA”
