Livro: Das Macumbas à Umbanda: a construção de uma religião Brasileira 📖

Qual a relação entre Zélio de Moraes, Allan Kardec, Getúlio Vargas e Jesus de Nazaré? A resposta pode ser encontrada em Das Macumbas à Umbanda: uma análise histórica da construção de uma religião brasileira, do jornalista José Henrique Motta de Oliveira, mestre em História Comparada pela UFRJ. O livro será lançado no dia 8 de outubro, às 19 horas, no Teatro do Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos, no Rio de Janeiro. O evento também contará com uma mesa-redonda sob o tema “Estado Novo e Umbanda: negociações possíveis em tempo de exceção”, que será formada pelos professores da instituição José Luft, Sandra Mara e Washington Dener, mais o autor do livro.

No livro, José Henrique refaz o caminho percorrido por antigos cultos cariocas, a fim de analisar o processo de legitimação da nova religião no seio da sociedade brasileira, à época do Estado Novo – período em que a Delegacia de Tóxicos e Mistificações realizava batidas freqüentes nos terreiros do Rio de Janeiro e encarcerava os adeptos.

Entre a macumba – culto que saltou das senzalas para os porões das casas grandes, apresentando heranças do catolicismo popular e das tradições afro-indígenas – e o kardecismo, com o seu caráter normatizador e científico, a umbanda encontrou na institucionalização da religião e na codificação do ritual o passaporte para o “mundo da ordem”, imposto pela ditadura Vargas.

“O mundo do trabalho e da garantia dos direitos sociais se opunha ao ´mundo da desordem e da malandragem´ representados por Zé Pelintra”, analisa o historiador, comentando que a construção de uma identidade nacional para a umbanda se deu à medida em que elementos da classe média urbana se inseriram na macumba e passaram a mediar códigos sociais, políticos e religiosos, a fim de transformar magia em religião, curandeiros em sacerdotes, assistencialismo em caridade e, conseqüentemente, prestigio político em respeitabilidade religiosa.

O livro, editado pela Editora do Conhecimento, está dividido em duas partes: na primeira, o autor apresenta, de forma didática, o encontro, no território brasileiro, das culturas ameríndias, européias e africanas, cujas religiosidades se amalgamaram ao longo do processo colonizatório, oferecendo os elementos necessários para o desabrochar de uma nova religião, que refletiria a mesma mestiçagem da população que a professava.

Na segunda parte, o pesquisador se debruça sobre o processo de institucionalização da umbanda, tendo como objetos de análise a Federação Espírita de Umbanda, fundada por um grupo de sacerdotes em 1939, com objetivo de servir de interlocutor entre os templos filiados, o Estado e a sociedade; e os anais do 1º Congresso Brasileiro de Umbanda, realizado em 1941, cuja finalidade era unificar as práticas rituais a partir de dogmas cristãos e espíritas.

José Henrique dedicou ainda um capítulo a analisar o mito de “anunciação” da umbanda, que se deu pela manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas no médium Zélio de Moraes, no dia 15 de novembro de 1908, na Federação Espírita de Niterói. “Alguns pesquisadores desqualificam o mito de origem da religião umbandista, alegando que é uma construção tardia e que teria o objetivo de reverter à dispersão de seus adeptos. Contudo, o fato de poder ser uma construção tardia não desqualifica o mito”, justifica o historiador, lembrando que o mito do Natal também fora construído tardiamente para atender aos interesses da Igreja.

 

 

Vendas: http://www.edconhecimento.com.br 


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