Conheça mais sobre o Mestre Exú Tiriri

Laroiê Seu Tiriri, Seu Tiriri é Mojubá!
É meia noite em ponto o galo cantou,
cantou para anunciar que Tiriri chegou.
Ele vem da Calunga de capa e cartola e tridente na mão,
esse Exú de fé é quem nos traz axé e nos dá proteção.
Ele é Exú Odara,
e vem nos ajudar,
com seu punhal ele fura,
ele corta demanda, ele salva, ele cura,
Exú é Mojubá, Laroiê.
Laroiê Exú, Exú é Mojubá.
Eu perguntei a ele o que é Exú ele veio me falar, Laroiê Exú.
Exú é caminho, é energia, é vida, é determinação,
é cumpridor da lei, Exú é esperto, Exú é guardião.
Exú é trabalho, é alegria, é veloz, Exú é viver.
É a magia, é o encanto, é o fogo, é o sangue na veia vibrando, Exú é
prazer. Laroiê.
Laroiê Exú, Exú é Mojubá.
Traz sua Falange Exú Tiriri para trabalhar, Laroiê Exú.
Vem seu Tranca Ruas, Maria Padilha e Exú Marabô,
Sete Encruzilhadas, seu Zé Pilintra aqui chegou.
Maria Mulambo, Maria Farrapo e dona Figueira,
dona Sete Saias, Pombo Gira Menina e Rosa Vermelha.
Sete Catacumbas, Exú Caveira firmou ponto aqui.
E o Exú Capa Preta anunciou a festa do Exú Tiriri.
É meia noite em ponto…
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Muitos de nós umbandistas já ouvimos falar do Senhor Exú Tiriri,
raramente em um terreiro de Umbanda tenha alguém que não conhece essa
maravilhosa Entidade de Luz que trabalha em prol da caridade em nome
de Deus, para auxiliar aos necessitados.

Senhor Tiriri é um Exú de lei, que trabalha na linha da esquerda,
lutando contra espíritos sem luz como Kiumbas, Eguns e Zombeteiros, os
levando para longe dos consulentes necessitados, para que assim as
Entidades da linha da direita possam fazer seus trabalhos de abertura
de caminhos, limpezas, descarregos, tratamento da saúde física e
mental nas pessoas que vão a terreiros de Umbanda para sanar esses
problemas.

Sendo assim vemos como é a importância de senhor Tiriri e de toda
a linha da esquerda (Exús e Pombo Giras).

Senhor Tiriri trabalha na vibração de Ogum, portanto sua vibração
original é da vitalização da irradiação da lei e da ordem, ou seja,
ele é um dos Exús que combatem de frente, e comanda uma legião de
Exús nos trabalhos contra os espíritos obsessores.

Frisando também que além de ser chefe de legião de Exús
combatentes do mal, Senhor Tiriri também atua nas Sete Irradiações
divinas, assim como atuam a legião dos Setes, ou seja Sete Catacumbas,
Sete Caveiras, Sete Encruzilhadas, Sete Porteiras, Sete Tronqueiras,
Sete Covas, Sete Cruzes, etc.

Sendo assim ele também, como a legião dos Setes, atua vitalizando
a ordem e a retidão nos sete sentidos da vida.

O nosso amado guardião Tiriri tem como principal missão ser um
cuidador, e atuam principalmente nas vibrações dos verbos função,
quebrador, devolvedor e retornador, assim como em grande parte dos
fatos e casos, são magníficos especialistas em demandas e quebra de
magias negras.

Por trabalhar e atuar na esquerda da lei, atua também abrindo os
caminhos daqueles que são merecedores dessas bençãos e dádivas.

Exú Tiriri trabalha para auxiliar as necessidades de pessoas que
estejam enfeitiçadas, obsediadas, atuando nos consulentes, buscando
ordenar seus negativismos, abrindo os caminhos e quebrando todo tipo
de demanda, isso quando permitido pela lei de Deus, e algumas vezes,
dependendo do tipo de magia negra que seja retirado do consulente,
Senhor Tiriri devolve a quem ordenou aquele tipo de magia.

Senhor Tiriri não se apresenta constantemente, e quando se
apresenta é porque a lei do Pai Maior já determinou o fim de uma ação
negativa, dando a responsabilidade ao Exú Tiriri de retirar e fazer o
possível e o impossível para que essa ação não mais prejudique o
consulente.

O Exú Tiriri tem grandiosa força para despachar trabalhos, cargas
negativas, mazelas e feitiçarias nas encruzilhadas, nas matas e também
nos rios. Tem um modo de ser nobre, forte, com ar superior, como um
grandioso poder de chefiar sua legião. Normalmente Senhor Tiriri gosta
das vestes na cor em preto, tem uma capa preta por fora e vermelha por
dentro, podendo trazer nas mãos ou um bastão, ou uma bengala, ou um
tridente nas cores preto e vermelho, dependendo da irradiação que
chegue, e qual o tipo de trabalho que vai fazer.

Senhor Tiriri é um Exú de pouca conversa, tem um ar soberano e
muito sedutor. Diz a lenda que se um consulente olhar diretamente aos
olhos desse Exú, independente de ser homem, mulher ou criança, ficarão
encantados, podendo ter sentimentos diferenciados, como idolatração,
carinho extremo, medo, felicidade, etc. Podendo até mesmo hipnotizar
algumas pessoas, principalmente crianças e mulheres.

Dentro da religião de Umbanda temos várias Entidades de Luz que
levam o nome de Exú Tiriri, modificando apenas a irradiação ou a
linha, porém todas essas Entidades trabalham da mesma forma, para e
pela  caridade em nome de Deus e dos Orixás.

Abaixo descrevemos algumas dessas Entidades frisando sua linha.

Senhor Tiriri das Encruzilhadas.
Senhor Tiriri das Matas.
Senhor Tiriri Menino.
Senhor Tiriri da Calunga Pequena.
Senhor Tiriri das Almas.
Senhor Tiriri da Figueira.
Senhor Tiriri do Cruzeiro.
Senhor Tiriri da Meia Noite.

Temos algumas Entidades dessa legião que ao final do nome se
utilizam da nomenclatura em africano, para que assim possam
especificar o tipo de Falange que comanda sua caminhada para
desempenhar seu trabalho de caridade, assim como descrevemos abaixo.

Senhor Tiriri Bará.
Senhor Tiriri Apavená.
Senhor Tiriri Apanadá.
Senhor Tiriri Lonã.

Frisando que esses estão na linha de comando de Senhor Tiriri da
Calunga.

Gostaria de frisar outra coisa importante, Exú Tiriri tem uma
ligação extremamente forte com Exú Mirim, que é o lado negativo de
São Cosme e São Damião (lado negativo não quer dizer lado ruim, apenas
falamos de polaridades espirituais).

Para entendimento Senhor Tiriri é o polo negativo do Orixá Ibeiji,
ou seja, o Orixá que rege os Erês, Ibeijadas ou as ditas crianças de
Umbanda.

O Exú Tiriri é o responsável e tutor de todos os Exús Mirins que
tem a permissão de se apresentar em terreiros como Entidade
incorporada a Médiuns preparados para tal função. Dentre vários Exús
Mirins, podemos dar os exemplos de seu Brasinha, Caveirinha, Veludinho
da Meia Noite, Exú do Lodo, Exú Lalu, Calunguinha, Toquinho e tantos
outros que trabalham nessa Falange.

O Exú Tiriri é considerado o senhor da vidência, ou aquele que vê
mais além, por esse motivo ele é extremamente invocado na hora de
serem jogados os sagrados Búzios, tanto na Umbanda quanto no
Candomblé.

Abaixo vamos frisar algumas características, porém é apenas para
uma breve ilustração, pois isso vai de cada regra de casa a casa, e de
médium para médium, dependendo do preparo e desenvolvimento mediúnico
feito. Ou seja, um médium que apenas esteja recebendo uma pequena
vibração da Entidade, que não esteja com uma incorporação 100%, não
deve-se sugestionar e desejar bebidas alcoólicas ou fumo, pois as
Entidades de Luz não utilizam desses artefatos por prazer, e sim como
materiais para desobsessão, descarrego, limpezas em geral, verificação
de algum espírito sem luz junto ao consulente. Por esse motivo um
médium não preparado não deve abusar de certas coisas que são
exclusivas para o trabalho das Entidades de Luz.

No caso de Senhor Tiriri ele se utiliza de bebidas fortes, aprecia
em seus trabalhos whisky ou qualquer bebida de boa qualidade.

Para algumas limpezas de consulentes e ambientes ele se utiliza de
charutos, que ao fumá-los e jogar a fumaça no ar está limpando tudo e
todos que necessitem.

Como já foi dito a roupagem de Senhor Tiriri é normalmente capa na
cor preto por fora e vermelho por dentro, ele aprecia um chapéu de
abas não muito largas, na cor em preto, traz nas mãos o bastão, ou
bengala, ou tridente. frisando que o bastão só é permitido aos Exús
que são chefes de uma legião de linha da esquerda.

O poder de Senhor Tiriri corresponde sobre trabalhos ajudando na
solidão, esperança, planejamento, meditação e saúde.

Abaixo anexamos uma bela prece ao grandioso Exú Tiriri.

Prece a Exú Tiriri. (todas as linhas)

Senhor Exú Tiriri.
Tu que emanas o poder sétuplo de Deus.
Tu que tens o poder de abrir os caminhos, de guardar as encruzilhadas,
que domina o poder devolvedor, retornador e quebrador.
,,,,
Pedimos vossas bênçãos em nossas vidas.
Quebre as demandas de nossos egos, de nossos pensamentos e sentimentos
negativos.
Devolva-nos a alegria, a força, a vitalidade, a ordem e a Lei.
Devolva-nos a prosperidade, a saúde e a paz de espírito.
Que segundo nosso merecimento e necessidades possa nos fazer retornar
tudo o que nos foi retirado pela maldade de outros ou pela nossa
própria incapacidade.

Permita-nos receber vossa força para o trabalho, vitaliza nossa saúde
e proteja-nos dos ataques negativos.

Cubra-nos com vossa capa protetora vermelha e negra.
Coloque vossa lança tripolar, vosso tridente encantado para nossa
proteção.
Laroiê Senhor Exú Tiriri!

Podemos fazer essa oração em agradecimento a Senhor Exú Tiriri
oferecendo-lhe uma vela na cor preto, ou traçada na cor vermelho e
preto, acendendo em uma mata, um jardim, ou na beira de um rio.

Salve Exú Tiriri!

Senhor Tiriri é Mojubá!

 

Luz de Umbanda

Superstições de marinheiros que você já deve ter ouvido se falar

Todo marinheiro que se preze tem lá suas superstições. Algumas bastante conhecidas pelo grande público, outras só por quem é realmente do mar. Mar Sem Fim fez uma listagem bem humorada para você conhecer alguma delas.

Se você sabe alguma outra superstição envolvendo o universo marinheiro nos conte e nos ajude a aumentar essa lista. Quem é do mar agradece!

Muitas dessas superstições, lendas, mitos, crenças são antigas tradições, heranças da história. Outras nasceram de eventos que navegante algum foi capaz de explicar.

1. Navio seguro é navio batizado…

A tradição de batizar um navio é tão antiga quanto os próprios navios. Sabe-se que egípcios, romanos e gregos já faziam cerimônias a fim de pedir aos deuses proteção para homens que se lançariam ao mar, mas por volta de 1800 os batizados começaram a seguir um certo padrão. Era derramado contra a proa da embarcação uma espécie de “fluido batismal”, que poderia ser geralmente vinho ou champanhe. A tradição que se desenvolveu preconizava que uma mulher deveria fazer as honras e ser nomeada “benfeitora” do navio em questão ao quebrar uma garrafa no casco do barco. Se um navio não fosse corretamente batizado, seria considerado azarado.

2. …uma vez só!

Nunca se deve rebatizar um navio, é azar na certa. Ou seja, batismo bom é batismo feito do jeito certo, com garrafa quebrada e uma única vez.

3. Sexta não!

Jamais partir em uma sexta-feira. Muitos marinheiros recusavam-se a embarcar nesse dia da semana. Não s sabe ao certo a origem dessa lenda mas quase todo capitão se recusa a soltar as amarras em uma sexta-feira.

4. Todos os ratos a bordo

Ratos não são os animais mais desejáveis de se ter por perto, certo? Errado. A última coisa que os marinheiros gostariam é que todos os ratos do navio subitamente fossem embora. Reza a lenda que a debandada de roedores da embarcação é encarada como um mau presságio, alerta de um infortúnio que está por vir.

5. Uma moedinha, por favor

Todos os navios devem ter uma moeda de prata embaixo do mastro. Acredita-se que isso traga boa sorte. As explicações são muitas, mas a tradição parece ter começado com os romanos. Diz-se que a moeda era uma forma de “pedágio” cobrada pelo deus Cáron, incumbido de levar as almas dos mortos em sua barca na travessia do rio Aqueronte. Caso um desastre acontecesse ao navio, a pratinha serviria como o pagamento de todos os marinheiros, que passariam seguramente para o lado de lá.

6. Aquele-que-não-deve-ser-nomeado

A bordo de uma embarcação, há uma palavra proibida. Jamais se deve dizer COELHO a bordo. Acredita-se que o bicho traga muito azar. A explicação vem da experiência, pois o animal tinha o péssimo hábito de roer o casco na época em que as embarcações eram feitas de madeira,e acabaram sendo proibidos de embarcar.

7. Cuidado com o que você deseja

Nunca se deve desejar “boa sorte”a um marinheiro antes de partir. Os marítimos acreditam que dizer “boa sorte” a alguém que esteja dentro de um navio é, contraditoriamente, sinal de azar. Em inglês, costuma-se dizer “break a leg” para alguém que irá navegar – no mar nada acontece como queremos, então se desejarem que você “quebre uma perna” certamente tudo vai correr bem.

8. Assobiar ou não assobiar?

O assobio é um ato relativizado na superstição marinheira, e depende das condições do tempo. Se o navio está passando por uma calmaria, assobiar ajuda a trazer ventos, ou seja, é recomendável. Mas se já está ventando, um assobio desavisado pode convocar uma tempestade, por isso precisa ser evitado.

9. Plantas e flores… em terra firme

Não aceitar plantas e flores a bordo de um navio também é uma das superstições marinheiras. A razão dessa crença vem da lógica – plantas consomem água doce, o bem mais precioso que se tem em uma embarcação.

10. Não se deve mudar o nome do barco ou…

Marinheiros acreditam que não se deve mudar o nome de um barco, caso contrário, isso trará muito azar para as navegações. Porém, há uma saída. Caso o capitão decida dar um novo nome à embarcação, deve fazer uma cerimônia bastante detalhada e cheia de rituais.

Ernest Shackleton, uma lenda viva

Não incorporo mais como antigamente, o que houve?

O médium sensato, laborioso e estudioso alcança tal êxito na sua tarefa mediúnica, que é bastante ao seu guia dar-lhe o toque fluídico familiar e delinear-lhe o tema que deve expor ao público, para a comunicação fluir espontaneamente e submissa ao programa de esclarecimento delineado pelos mentores da casa. Esse treino de aprimoramento moral e desenvolvimento intelectivo, sob a direção do guia, sensibiliza o psiquismo do médium e o ajuda a sublimar gradativamente a sua faculdade para a conquista natural da mediunidade intuitiva. Então, ele entreabre a sua mente ao contato definitivo com a Mente Divina e transforma-se no canal precioso do qual, em alta sensibilidade, flui para os encarnados a orientação exata para o curso da vida imortal.
Deixa de ser o intérprete que exige o comando alheio para cumprir o serviço mediúnico, porque já expõe o fruto de sua sabedoria e aprimoramento moral através do raciocínio cimentado pela segurança de sua experiência e graduação espiritual acumulada no tempo. Muitas vezes ultrapassa o seu próprio índice de conhecimento e vibra emotivamente acima do sentimentalismo humano, transformando-se no sensitivo que faz fluir a revelação sideral para a matéria, sem a necessidade de incorporar os espíritos desencarnados.

– do livro MEDIUNISMO.

Cigana das 7 facas

De beleza exuberante e inteligência rara, Elisa se achava uma mulher sem sorte. Vivia infeliz: todos que a cercavam, todos a quem amava pareciam sofrer com ela. Uma maldição, pensava ela. Casada, logo o marido passou a se servir de putas, embora amasse e desejasse a mulher, que só penetrou uma vez, na primeira noite. Apesar de seu tremendo desejo por Elisa, só alcançava a ereção com outras. Ela sofria pelas dores do marido. Ele a acusava de rejeitá-lo e batia nela.
No começo, nem tudo era sofrimento. Daquela única vez nasceu Vitória. A menina cresceu bonita e saudável até os sete anos. Depois começou a definhar. “É a maldição!”, Elisa se culpava. O marido se enterrou de vez nos puteiros, ia chorar sua desventura no colo das putas. Todas as especialidades médicas foram consultadas, todas as promessas foram pagas, todas as rezas foram rezadas.

Consultados médiuns e videntes, cartomantes e benzedeiras, padres, pastores e profetas, nada. A saúde da menina decaía dia a dia. Até que Elisa foi bater à porta de mãe Júlia, famosa mãe-de-santo. “Você nasceu com a beleza de Oxum e a majestade de Xangô, mas seu coração é de pombo gira”, disse-lhe a mãe-de-santo, depois de consultar os búzios.

A vida recatada de Elisa, seu senso de pudor, sua modéstia, a repressão de costumes que ela mesma se impunha, a falta de interesse pelo sexo, tudo isso negava os sentimentos de seu coração, contrariava sua natureza. A cura, a redenção dela e dos seus, tinha uma só receita: libertar seu coração, deixar sua pombo gira viver. Foi a sentença da mãe-de-santo.

Leve e livre.
Ali mesmo, naquele dia e hora, sem saber como nem por quê, Elisa se deixou possuir por três homens que, no terreiro, tocavam os atabaques. O prazer foi imenso. Sentiu-se leve e livre pela primeira vez na vida.

Pensando na filha, voltou correndo para casa e encontrou a menina melhor, muito melhor: corria sorridente, pedia comida, queria brincar.

No dia seguinte, Elisa voltou ao terreiro. “Seu caminho é longo ainda”, mãe Júlia disse. Depois a abençoou e se despediu. Um dos homens com quem se deitara no dia anterior lhe deu um endereço no centro da cidade, um local de meretrício, que Elisa começou a freqüentar. Passava as tardes lá, enquanto o marido trabalhava. Voltava para casa mais feliz e esperançosa, a menina melhorava a olhos vistos.

Para preservar a honra do marido, Elisa se vestia de cigana, cobrindo o rosto com um véu. O mistério tornava tudo mais excitante. A clientela crescia. O marido soube da nova prostituta e quis experimentar. Na cama com a Cigana, o prazer foi surpreendente, muito maior do que sentira com Elisa e que nunca fora superado com outra mulher. Seria escravo da Cigana se ela assim o desejasse. Mas a Cigana nunca mais quis recebê-lo.

A insistência dele foi inútil. “Um dia te mato na porta do cabaré”, ele a ameaçou, ressentido e enciumado. Ela se manteve irredutível.

Num entardecer de inverno, ele esperou pela Cigana na porta do puteiro e, na penumbra, lhe deu sete facadas. Assustado, olhou o corpo ensangüentado da morta estirado no chão e reconheceu, no piscar do néon do cabaré, o rosto desvelado de Elisa. Um enfarto o matou ali mesmo.

Longe dali, no terreiro de mãe Júlia, o ritmo dos tambores era arrebatador. As filhas-de-santo giravam na roda, esperando a incorporação de suas entidades.
Na gira, exus e pombo giras eram chamados. Os clientes, que lotavam a platéia, esperavam sua vez de falar de seus problemas e resolver suas causas. As entidades foram chegando, e o ambiente se encheu de gargalhadas e gestos obscenos. O ar cheirava a suor, perfume barato, fumaça de tabaco, cachaça e cerveja. A força invisível da magia ia se tornando mais espessa, quase podia ser tocada.

Cada entidade manifestada no transe se identificava cantando seu ponto. De repente, uma filha-de-santo iniciante, e que nunca entrara em transe, incorporou uma pombo gira.

Com atrevimento ela se aproximou dos atabaques e cantou o seu ponto, que até então ninguém ali ouvira:

“Você disse que me matava
na porta do cabaré
Me deu sete facadas
mas nenhuma me acertou
Sou Pombo gira Cigana
aquela que você amou
Cigana das Sete Facadas
aquela que te matou”.

Mãe Júlia correu para receber a pombo gira, abraçou-a e lhe ofereceu uma taça de champanhe. “Seja bem-vinda, minha senhora. Seu coração foi libertado”, disse a mãe-de-santo, se curvando.
Pombo gira Cigana das Sete Facadas retribuiu o cumprimento e, gargalhando, se pôs a dançar no centro do salão.

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A história de São Jorge

São Jorge é um mártir cristão do século III, o Santo padroeiro da Inglaterra, da Geórgia e da cidade de Moscou na Rússia.

Não se sabe muita coisa sobre São Jorge. Os historiadores acreditam que ele nasceu em uma família nobre e cristã no final do século III, na Capadócia, uma região onde atualmente é a Turquia. São Jorge se tornou soldado, como seu pai, e fez parte da comitiva do Imperador Diocleciano.

Quando o Imperador ordenou uma perseguição aos cristãos, São Jorge se recusou a participar. Acreditem, era preciso muita coragem para que um soldado se recusasse a seguir as ordens do imperador romano.

São Jorge distribuiu toda a sua riqueza para os pobres e permaneceu fiel a fé cristã. No dia 23 de abril do ano de 303, por ordem do imperador, São Jorge foi torturado e executados na Palestina, tornando-se um mártir cristão.

São Jorge foi muito torturado e foi forçado a andar sobre brasas mas não parecia sentir dor e se recusava a negar sua fé em Cristo. A brutalidade chegou ao fim quando ele foi degolado e morreu.

Muitas pessoas, presenciando aquela fé inabalável se converteram ao cristianismo. Alguns relatos dizem que a mulher do imperador, ao saber de tal resistência, também se converteu ao cristianismo.

Os restos mortais de São Jorge foram levados para Lida, cidade onde cresceu com sua mãe. Mais tarde o imperador Constantino ordenou a construção uma igreja em Lida, para que os fieis pudessem rezar e homenagear São Jorge.

Muitos séculos depois da morte de São Jorge, durante a era medieval, foi criada a lenda sobre o guerreiro que matava dragões e salvava donzelas em perigo, mas isso não passa de pura fantasia. O dia de São Jorge é comemorado na Inglaterra em 23 de abril, que foi o dia em que ele foi martirizado.

Ainda hoje muitas pessoas se inspiram no seu exemplo e a oração de São Jorge é uma das mais procuradas em todo o mundo.